quinta-feira, 27 de maio de 2010

ABORTO E TUMOR

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Uma análise combinada de 23 estudos indica que o aborto provocado pode aumentar ligeiramente o risco de uma mulher desenvolver posteriormente um cancro da mama. O aumento, à volta dos 30%, é, mesmo assim, consideravelmente menor daquele que deriva, por exemplo, de antecedentes familiares do cancro da mama ou de atrasar o primeiro parto para depois dos 30 anos.


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VERÃO NOVO, CREME NOVO

Se ainda tem embalagem de protector solar do ano passado, o mais prudente será substituí-la por uma embalagem nova. Com o passar do tempo e devido à acção da temperatura ambiente, o índice do filtro solar pode diminuir. O creme deixa de conferir à pele a protecção esperada contra os raios solares. O melhor será, pois, comprar um protector solar novo (pergunte ao vendedor se o produto é deste ano) e, se for caso disso, usar o antigo como creme hidratante, por exemplo, quando chegar da praia.


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Cancro da Bexiga

As pessoas que desenvolvem cancro da bexiga têm maior probabilidade de apresentar determinados factores de risco. Um factor de risco é algo que aumenta a possibilidade de vir a desenvolver uma doença.
A partir dos estudos realizados, foi possível definir os seguintes factores de risco para o cancro da bexiga:
• Idade. A probabilidade de desenvolver cancro da bexiga aumenta com a idade. As pessoas com menos de 40 anos raramente manifestam esta doença.
• Tabagismo. O tabaco é um dos principais factores de risco. Os fumadores de cigarros têm uma probabilidade duas a três vezes superior de desenvolver cancro da bexiga do que os não fumadores. Os fumadores de cachimbo e charutos apresentam também um risco acrescido.
• Profissão. Alguns profissionais estão em maior risco de desenvolver cancro da bexiga devido à presença de carcinogénios no local de trabalho. Os trabalhadores da indústria da borracha, química e das peles são grupos de risco, assim como os cabeleireiros, maquinistas, operários metalúrgicos, tipógrafos, pintores, trabalhadores têxteis e camionistas.
• Infecções. Estar infectado com determinados parasitas aumenta o risco de cancro da bexiga. Estes parasitas são mais frequentes em regiões tropicais.
• Tratamento com ciclofosfamida ou arsénico. Estes fármacos são utilizados no tratamento do cancro e de outras patologias e aumentam o risco de cancro da bexiga.
• Raça. Os indivíduos da raça caucasiana registam uma incidência de cancro da bexiga duas vezes superior à da raça afro-americana e hispânica. Os indivíduos da raça asiática apresentam a menor taxa de incidência.
• Sexo. Os homens têm uma probabilidade duas a três vezes superior de desenvolver cancro da bexiga do que as mulheres.
• Antecedentes familiares. As pessoas com familiares que tiveram cancro da bexiga têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Os investigadores estão a estudar alterações em determinados genes que podem aumentar o risco de cancro da bexiga.
• Antecedentes pessoais de cancro da bexiga. As pessoas que já tenham tido cancro da bexiga têm maior probabilidade de desenvolver novamente a doença.

SINTOMAS
• Sangue na urina (a urina apresenta uma coloração que pode variar entre o avermelhado e o vermelho intenso);
• Dor durante a micção;
• Micção frequente, ou sensação de necessidade de urinar sem o conseguir.

DIAGNÓSTICO
Se uma pessoa apresentar sintomas que possam indiciar um cancro da bexiga, o médico deve verificar os sinais gerais de saúde e pode pedir a realização de análises laboratoriais A pessoa poderá ter de se submeter a um ou mais dos seguintes procedimentos:
• Exame físico. O médico palpa o abdómen e a pélvis, procurando a existência de um possível tumor O exame físico pode incluir um exame rectal ou vaginal.
• Análises à urina. O laboratório verifica a presença de sangue, células cancerígenas e outros sinais de doença na urina.
• Pielograma intravenoso. O médico injecta um contraste num vaso sanguíneo Este contraste junta-se à urina, fazendo com que a bexiga seja visível nos raios-X.
• Cistoscopia. O médico utiliza um tubo fino com iluminação (cistoscópio) para examinar directamente o interior da bexiga Seguidamente, insere o cistoscópio na bexiga através da uretra, a fim de examinar o revestimento da bexiga Para este exame pode ser necessário administrar anestesia. Com a ajuda do cistoscópio, o médico colhe amostras de tecido que serão, posteriormente, examinadas ao microscópio por um patologista À colheita de tecido para a pesquisa de células cancerígenas dá-se o nome de biópsia. Em muitos casos, a biópsia é a única forma segura de determinar a existência de cancro. Num pequeno número de doentes em que, durante a biópsia, é removida toda a zona afectada, o cancro da bexiga é diagnosticado e tratado num procedimento único.

ESTADIAMENTO
Depois de diagnosticado o cancro de bexiga, o médico deverá avaliar o estadio ou a extensão da doença, de modo a delinear o melhor tratamento. A determinação do estadio é uma pesquisa exaustiva, na tentativa de descobrir se o cancro invadiu a parede da bexiga, se a doença se disseminou e, se for esse o caso, para que partes do organismo.
O médico pode determinar o estadio de evolução do cancro da bexiga no momento do diagnóstico ou após a realização de exames adicionais, que podem incluir exames de imagiologia: TAC, ressonância magnética (RM), espectrograma, pielograma intravenoso, cintigrafia óssea ou raio-X torácico. Por vezes, só é possível determinar o estadio da doença durante a cirurgia.

CIRURGIA
A cirurgia é um tratamento comum no cancro da bexiga. O tipo de cirurgia depende muito do estadio e do grau do tumor. O médico pode explicar cada tipo de cirurgia e determinar qual a mais adequada para o doente:

Ressecção transuretral (RTU): o médico pode tratar cancros da bexiga em estadio precoce (superficiais) através da ressecção transuretral (RTU). Durante a RTU, é inserido um cistoscópio na bexiga através da uretra utilizando, depois, uma ferramenta com um pequeno arame em forma de anel na extremidade, para remover o cancro e queimar, através de corrente eléctrica, as células cancerígenas remanescentes; este procedimento é designado por fulguração. O doente pode ter de ser hospitalizado e necessitar de anestesia. Depois da RTU, os doentes podem ainda receber quimioterapia ou terapia biológica.

Cistectomia radical: nos cancros da bexiga invasivos, o tipo de cirurgia mais comum é a cistectomia radical. Os médicos optam por este tipo de cirurgia quando um cancro superficial afecta uma grande parte da bexiga. A cistectomia radical consiste na remoção total da bexiga, gânglios linfáticos adjacentes, parte da uretra e órgãos adjacentes que possam conter células cancerígenas. Nos homens, os órgãos adjacentes removidos são a próstata, a vesícula seminal e parte dos canais deferentes. Nas mulheres, são removidos o útero, os ovários, as trompas de falópio e parte da vagina.

Cistectomia segmentar: nalguns casos, pode apenas ser removida parte da bexiga, através de um procedimento designado por cistectomia segmentar. Em geral, o médico opta por este tipo de cirurgia quando o cancro é de baixo grau e apenas invadiu uma parte da parede da bexiga.
Por vezes, quando o cancro já se disseminou para o exterior da bexiga e não pode ser completamente removido, o cirurgião remove a bexiga mas não tenta remover a totalidade do cancro. O cirurgião pode, ainda, não remover a bexiga mas criar uma outra via de saída da urina. O objectivo da cirurgia pode ser o de aliviar o bloqueio urinário ou outros sintomas causados pelo cancro.
Quando a totalidade da bexiga é removida, o cirurgião cria outro canal para a saída da urina. O doente pode usar um saco no exterior do corpo ou o cirurgião pode criar uma bolsa no interior do corpo, utilizando parte do intestino.

RADIOTERAPIA
A radioterapia (terapia por radiação) utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas. À semelhança da cirurgia, a radioterapia é uma terapia local que apenas afecta as células cancerígenas na área tratada.
Alguns doentes podem receber radioterapia antes da cirurgia para reduzir a dimensão do tumor. Outros podem receber este tratamento após a cirurgia para matar as células cancerígenas que possam ter restado nessa área. Por vezes, a radioterapia substitui a cirurgia em doentes que não podem ser submetidos a procedimentos cirúrgicos.
São utilizados dois tipos de radioterapia para tratar o cancro da bexiga:
Radiação externa: a radiação é aplicada com um aparelho de grande dimensão que dirige a radiação para a área do tumor. A maioria das pessoas que recebe radiação externa é tratada 5 dias por semana durante 5 a 7 semanas, em regime de ambulatório. Esta calendarização ajuda a proteger células e tecidos saudáveis, uma vez que a dose total de radiação é distribuída ao longo de vários dias. O período de tratamento pode ser menor se a radiação externa for administrada juntamente com implantes radioactivos.
Radiação interna: é colocado um pequeno recipiente contendo uma substância radioactiva na bexiga através da uretra e da realização de uma incisão no abdómen. Durante este tratamento, o doente fica hospitalizado alguns dias. Para proteger as outras pessoas da exposição à radiação, os doentes não podem ter visitas ou só podem tê-las durante um curto período de tempo, enquanto o implante estiver aplicado. Uma vez removido o implante, não fica qualquer radioactividade no organismo. Alguns doentes com cancro da bexiga recebem os dois tipos de radioterapia.
Com que frequência terei de fazer exames médicos completos?

QUIMIOTERAPIA
A quimioterapia utiliza fármacos para matar as células cancerígenas. Pode ser utilizado apenas um fármaco ou uma combinação de fármacos.
Em doentes com cancro da bexiga superficial, o médico pode recorrer à quimioterapia intravesical, depois de remover o cancro por RTU. Trata-se de uma terapia local, em que é inserido um tubo (catéter) através da uretra de forma a introduzir fármacos líquidos na bexiga. Os fármacos permanecem na bexiga durante várias horas e afectam sobretudo as células da bexiga. Habitualmente, o tratamento realiza-se uma vez por semana, durante várias semanas. Por vezes, os tratamentos são administrados uma ou várias vezes por mês, durante um período que pode ir até um ano.
Se o cancro tiver invadido profundamente a bexiga ou se se tiver disseminado para os gânglios linfáticos ou outros órgãos, o médico pode administrar fármacos através de uma veia. Este tratamento é designado por quimioterapia intravenosa. Trata-se de uma terapêutica sistémica, o que significa que os fármacos circulam na corrente sanguínea, atingindo praticamente todas as regiões do organismo. Em geral, os fármacos são administrados em ciclos de tratamento, de modo a que haja um período de recuperação, a seguir a cada período de tratamento.
O doente pode receber apenas quimioterapia ou uma combinação com cirurgia, radioterapia ou ambas. Habitualmente, a quimioterapia é administrada num hospital, clínica ou consultório médico, em regime de ambulatório. Contudo, dependendo dos fármacos administrados e do estado geral de saúde, o doente pode necessitar de ser hospitalizado por um curto período.

IMUNOTERAPIA
Terapia biológica (também designada por imunoterapia): utiliza as capacidades naturais do organismo (sistema imunitário) para combater o cancro. A terapia biológica é utilizada mais frequentemente depois de RTU e em caso de cancro superficial da bexiga; ajuda a prevenir recidivas do cancro. O médico pode recorrer à terapia biológica intravesical com solução BCG. A solução BCG contém bactérias vivas e enfraquecidas. As bactérias estimulam o sistema imunitário para matar as células cancerígenas na bexiga. É utilizado um catéter para introduzir a solução na bexiga. O doente deverá manter a solução na bexiga durante cerca de 2 horas. Em geral, o tratamento com BCG realiza-se uma vez por semana, durante 6 semanas.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSIVEIS
Tendo em conta que o tratamento do cancro pode danificar células e tecidos saudáveis, podem ocorrer, por vezes, efeitos indesejáveis. Estes efeitos dependem de vários factores, designadamente do tipo e extensão do tratamento. Os efeitos adversos podem não ser os mesmos para todas as pessoas e podem, inclusivamente, variar entre as diversas sessões de tratamento. Os médicos e enfermeiros irão explicar quais os possíveis efeitos do tratamento e como lidar com eles.

Cirurgia
Alguns dias depois da ressecção transuretral (RTU), os doentes podem apresentar sangue na urina e dificuldade ou dor na micção. Tirando isso, a RTU, por norma, causa poucos problemas.
Depois da cistectomia, a maioria dos doentes sente desconforto nos primeiros dias. Contudo, existem medicamentos que ajudam a controlar a dor. Os doentes devem conversar com o médico ou enfermeiro sobre soluções para aliviar a dor. Também é comum sentir cansaço ou fraqueza durante algum tempo. O período de tempo para a recuperação de uma operação varia de pessoa para pessoa.
Depois de uma cistectomia segmentar, os doentes podem não ter capacidade para reter a mesma quantidade de urina na bexiga do que anteriormente, pelo que sentirão necessidade de urinar com maior frequência. Na maioria dos casos, este problema é temporário, embora alguns doentes possam apresentar alterações mais duradouras ao nível do volume de urina que conseguem reter.
Nos casos em que a bexiga é removida por cirurgia, é necessário proceder a novas formas de armazenar e expelir a urina. Num método comum, o cirurgião utiliza uma porção do intestino delgado do doente para formar um novo tubo através do qual a urina possa passar. O cirurgião liga uma das extremidades do tubo aos ureteres e a outra extremidade a uma nova abertura na parede do abdómen. Esta abertura tem o nome de estoma. Sobre o estoma é encaixado um saco achatado, para recolher a urina, que é fixado com um adesivo especial. A operação para criar o estoma é designada por urostomia ou ostomia. Na secção “Reabilitação” encontrará mais informações sobre os cuidados a ter com o estoma.
Em alguns doentes, o médico consegue utilizar uma parte do intestino delgado para criar, no interior do corpo, uma bolsa de depósito (designada por bolsa continente). A urina é recolhida na bolsa em vez de ir para o saco. O cirurgião liga a bolsa à uretra ou ao estoma. Se a bolsa for ligada ao estoma, o doente deverá utilizar um catéter para drenar a urina.
A cirurgia do cancro da bexiga pode afectar a função sexual do doente. Considerando que numa cistectomia radical são removidos o útero e os ovários, deixará de ser possível a doente engravidar. Além disso, a menopausa “surge” imediatamente. Os afrontamentos e outros sintomas da menopausa causados pela cirurgia podem ser mais intensos do que numa menopausa natural. Muitas mulheres recebem terapia hormonal de substituição (THS) para aliviar estes problemas. Se, durante a cistectomia radical, for removida parte da vagina, pode haver dificuldade nas relações sexuais.
Anteriormente, depois de uma cistectomia radical, quase todos os homens ficavam impotentes. No entanto, o aperfeiçoamento da cirurgia tornou possível evitar este problema nalguns homens. Os homens aos quais tenham sido removidas a glândula prostática e as vesículas seminais deixam de produzir sémen, passando a ter orgasmos secos. Os homens que desejarem ser pais podem optar por conservar o esperma num banco de esperma, antes da cirurgia, ou proceder a uma recuperação do esperma, após a cirurgia.
É natural que o doente tenha preocupações relativamente aos efeitos da cirurgia do cancro da bexiga na sexualidade. Os doentes poderão querer conversar com o médico sobre os possíveis efeitos secundários e a sua provável duração. Independentemente das perspectivas, os doentes e seus parceiros devem falar sobre os seus sentimentos e ajudar-se mutuamente de forma a descobrir novas formas de viver a intimidade, durante e após o tratamento.

Radioterapia
Os efeitos secundários da radioterapia dependem, sobretudo, da dose do tratamento e da região a tratar. Na generalidade, os doentes ficam muito cansados durante a radioterapia, sobretudo nas últimas semanas de tratamento. O repouso é fundamental, embora os médicos recomendem aos doentes que se mantenham tão activos quanto possível.
A radiação externa pode escurecer ou dar um tom “bronzeado” à pele na região tratada. A maioria dos doentes perdem o cabelo/pêlos na região tratada e a pele fica avermelhada, seca, sensível, podendo causar algum prurido. Estes problemas são temporários e podem ser aliviados.
A radioterapia na região do abdómen pode provocar náuseas, vómitos, diarreia ou desconforto urinário. O médico pode sugerir medicamentos destinados a atenuar estes problemas.
A radioterapia pode, ainda, provocar uma diminuição do número de glóbulos brancos, ou seja, das células que protegem o organismo contra infecções. Se a contagem sanguínea for baixa, o médico ou o enfermeiro pode recomendar formas de evitar contrair uma infecção. Além disso, o doente pode suspender o tratamento com radioterapia até se registar uma melhoria na contagem sanguínea. O médico controlará regularmente a contagem sanguínea do doente e, se necessário, fará alterações ao programa de tratamento.
O tratamento do cancro da bexiga por radiação pode afectar a sexualidade, tanto no homem como na mulher. As mulheres podem sentir secura vaginal, ao passo que os homens podem sentir dificuldades em termos de erecção.
Embora os efeitos secundários da radioterapia possam ser penosos, é possível tratá-los ou controlá-los.
Na maioria dos casos, os efeitos secundários são transitórios.

Quimioterapia
Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos e da dose que os doentes recebem, bem como da forma como são administrados. Além disso, tal como nos outros tipos de tratamento, os efeitos secundários variam de doente para doente.
Os fármacos anti-neoplásicos que são introduzidos na bexiga causam irritação e algum desconforto ou hemorragia durante alguns dias após o tratamento. Alguns fármacos podem causar erupções cutâneas quando entram em contacto com a pele ou órgãos genitais.
A quimioterapia sistémica ataca as células em divisão rápida, inclusivamente as células sanguíneas. As células sanguíneas combatem as infecções, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio a todo o organismo. Quando os fármacos anti-neoplásicos danificam células sanguíneas saudáveis, os doentes ficam mais susceptíveis a infecções, equimoses ou hemorragias e podem ter menos energia. As células da raiz do cabelo e as que revestem internamente o tracto digestivo também se dividem rapidamente. Como tal, os doentes podem perder o cabelo e manifestar outros efeitos secundários tais como perda de apetite, náuseas e vómitos ou feridas na boca. Regra geral, estes efeitos secundários desaparecem gradualmente durante os períodos de recuperação entre tratamentos ou após o tratamento terminar.
Alguns fármacos utilizados no tratamento do cancro da bexiga podem causar lesões a nível renal. Para proteger os rins, os doentes necessitam de ingerir muitos líquidos. Podem ser administrados ao doente líquidos por via intravenosa, antes e depois do tratamento. O doente pode necessitar também de beber muitos líquidos durante o tratamento com estes fármacos.
Alguns fármacos anti-neoplásicos podem ainda causar formigueiro nos dedos, zumbidos nos ouvidos ou perda de audição. Estes problemas poderão desaparecer após o tratamento terminar.

Terapia Biológica
A terapia com BCG pode causar irritação na bexiga. Os doentes podem sentir uma necessidade urgente e frequente de urinar, ou ainda, dores sobretudo ao urinar e cansaço. Alguns doentes podem ter sangue na urina, náuseas, febre baixa ou arrepios

A REABILITAÇÃO APÓS O TRATAMENTO
A reabilitação é uma etapa muito importante no tratamento do cancro. A equipa de cuidados de saúde faz tudo ao seu alcance para ajudar o doente a retomar o mais rapidamente possível a sua actividade normal.
Os doentes com estoma têm de aprender a cuidar do mesmo e podem beneficiar da ajuda de terapeutas especializados ou de enfermeiros. Estes técnicos visitam frequentemente os doentes antes da cirurgia, a fim de esclarecer as suas expectativas. Ensinam aos doentes quais os cuidados a ter consigo próprios e com os seus estomas após a cirurgia.
Estes técnicos conversam com os doentes sobre questões relacionadas com o estilo de vida, designadamente preocupações de ordem emocional, física e sexual. Muitas vezes, podem dar informações úteis sobre recursos e grupos de apoio.

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Cancro da Próstata

Em Portugal, o cancro da próstata é o tipo de cancro mais importante e frequente no homem.

SINAIS
• Idade: esta doença é rara em homens com menos de 45 anos, embora a probabilidade aumente exponencialmente com o avanço da idade. A maioria dos homens com este cancro, tem mais de 65 anos.
• História familiar: o risco de um homem ter cancro da próstata, é mais elevado do que a média, se o seu pai ou irmão tiveram a doença.
• Raça: este cancro é mais comum nos homens de raça negra, do que de raça branca. É menos comum entre os homens asiáticos e os índios americanos.
• Determinadas alterações da próstata: apresentar células anómalas, chamadas neoplasia intra-epitelial da próstata de grau elevado, pode aumentar o risco de cancro da próstata.

DETECÇÃO
Primeiro que nada deve-se fazer um rastreio. O seu médico poderá dar informações adicionais sobre esse rastreio:
Toque rectal (exame rectal digital): depois de colocar umas luvas, o médico insere um dedo lubrificado dentro do recto, e palpa a próstata, através da parede rectal, para verificar se detecta zonas duras ou granulosas.
Análise clínica para o antigénio específico da próstata (PSA): através de uma análise laboratorial, verifica-se o nível de PSA numa amostra de sangue do homem. Um nível elevado de PSA é, geralmente, causado por HBP ou prostatite (inflamação da próstata). Também pode resultar de cancro da próstata.
Sintomas: Geralmente incluem:
• Problemas urinários.
• Incapacidade de urinar, ou dificuldade em iniciar ou parar o fluxo de urina.
• Necessidade frequente de urinar, principalmente à noite.
• Fluxo de urina fraco ou intermitente.
• Dor ou ardor durante a micção.
• Dificuldade em ter uma erecção.
• Sangue na urina ou no sémen.
• Dor frequente na zona inferior das costas, nas ancas ou na zona superior das coxas


DIAGNÓSTICO
Se apresentar sintomas ou resultados de exames que sugiram cancro da próstata, o médico irá questionar acerca da sua história clínica e familiar, irá observá-lo (exame físico) e poderá, ainda, pedir exames laboratoriais. Os exames e testes podem incluir um toque rectal, uma análise à urina, para detectar sangue ou uma infecção, e análises sanguíneas, para medir o nível de PSA (antigénio específico da próstata).
O médico ainda pode pedir: uma ecografia trans-rectal, uma cistoscopia, e uma biopsia.

ESTADIAMENTO
Para poder planear melhor o tratamento do cancro da próstata, o médico precisa de saber a extensão (estadio) da doença. O estadio baseia-se no tamanho do tumor, na disseminação (metastização) do tumor para os gânglios linfáticos, e na sua metastização para outras partes do corpo (metastização à distância).
O médico pode pedir raios-X, análises clínicas e outros testes ou procedimentos, para perceber a extensão da doença.
Para definir o estadio do tumor, o médico pode, ainda, pedir os seguintes exames:
• Estudo do osso com radioisótopos (cintigrafia óssea);
• TAC;
• RM (ressonância magnética).

TRATAMENTO
O tratamento do cancro da próstata pode envolver a cirurgia, radioterapia, terapêutica hormonal (hormonoterapia) ou apenas observação . Poderá fazer terapêuticas combinadas. Se o médico recomendar que a pessoa fique apenas em observação, a sua saúde será cuidadosamente monitorizada, e só será tratado se surgirem sintomas ou se estes piorarem.
Em qualquer estadio da doença, a pessoa com cancro da próstata pode fazer medicação para tratar e controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários do tratamento e para atenuar quaisquer problemas emocionais. Estes tratamentos são designados por cuidados de suporte, controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

- Cirurgia
Durante um período de tempo após a cirurgia, a pessoa sentir-se-á limitada, nas suas actividades, para permitir o correcto processo de cicatrização e "cura". É comum a pessoa sentir-se cansada ou fraca, durante algum tempo; durante os primeiros dias, muitas vezes a pessoa sente-se desconfortável.
Depois da cirurgia, a uretra necessita de tempo para recuperar. O homem terá um catéter (tubo inserido através da uretra, até à bexiga - algália) para drenar a urina, durante 10 dias a 3 semanas. A enfermeira ou o médico irão ensinar a pessoa a tratar da algália.
A recuperação após a cirurgia demora tempo, e o tempo necessário para a recuperação difere de pessoa para pessoa. No entanto consegue-se, geralmente, controlar a dor com fármacos. Antes da cirurgia, deve discutir o plano para alívio das dores com o médico ou com a enfermeira. O médico poderá ajustar o plano, se for necessário maior alívio da dor.
A cirurgia para remoção da próstata, pode causar problemas de longa duração, incluindo incontinência. Depois da cirurgia, algumas pessoas não são capazes de controlar o fluxo de urina da bexiga (incontinência urinária). Se o recto estiver lesionado, a pessoa pode não conseguir controlar as fezes (incontinência fecal).
Alguns homens podem ficar impotentes. A cirurgia conservadora dos nervos, é uma tentativa de evitar o problema da impotência. Quando o médico usa a cirurgia conservadora dos nervos, e a operação é bem sucedida, a impotência pode ser apenas temporária; no entanto, em alguns casos, mesmo com este procedimento ficam impotentes. Pode questionar o médico sobre possíveis medicamentos, e outros métodos, para ajudar a controlar os efeitos sexuais do tratamento do cancro da próstata.

- Radioterapia
Durante a radioterapia, poderá sentir-se muito cansado, particularmente nas últimas semanas de tratamento. O descanso é importante, mas, geralmente, o médico aconselha as pessoas a manterem-se activas, dentro do possível.
Algumas pessoas podem ter diarreia ou micção frequente e desconfortável.
Quando a pessoa faz radioterapia externa, no tratamento do cancro da próstata, a pele, na área tratada, pode tornar-se vermelha, seca e sensível. Poderá, também, perder o cabelo e/ou pêlos da zona tratada. Esta perda pode ser temporária ou permanente, dependendo da dose de radiação.
Tanto a radioterapia externa como a interna (braquiterapia), podem danificar os nervos, resultando em impotência. No entanto, a probabilidade de tal acontecer, é inferior com a braquiterapia. Ainda assim, pode provocar incontinência temporária. Os efeitos secundários da braquiterapia, a longo prazo, são pouco comuns.

- Hormonoterapia
É provável que a orquidectomia, bem como os agonistas da LH-RH , afectem a qualidade de vida da pessoa. Muitas vezes provocam efeitos secundários, como a impotência, afrontamentos, perda de desejo sexual e fragilidade óssea. No início do tratamento, um agonista da LH-RH pode piorar os sintomas (durante um curto período de tempo); a este problema temporário, chama-se "flare". No entanto, gradualmente o tratamento faz diminuir o nível de testosterona, no homem e, sem testosterona, o crescimento do tumor diminui; consequentemente, o estado do doente melhora (para prevenir o flare, o médico pode administrar, durante um período de tempo, um anti-androgénio, em simultâneo com o agonista da LH-RH).
Os anti-androgénios podem causar náuseas, diarreia, bem como crescimento ou sensibilidade mamária. Raramente, podem causar dor no abdómen, olhos com um tom "amarelado" ou urina escura, devido a problemas hepáticos. Alguns fármacos podem, ainda, provocar dificuldade respiratória e fotosensibilidade (aumento do tempo que os olhos necessitam para se adaptarem à luz; pode ser difícil passar de um ambiente luminoso para outro às escuras, e vice-versa).
Quando usados em tratamentos de longa duração, alguns fármacos podem provocar problemas hepáticos e erupções cutâneas. As pessoas que fazem bloqueio total dos androgénios, podem ter mais efeitos secundários do que aquelas que fazem apenas um tipo de tratamento hormonal.
Qualquer método de terapêutica hormonal que diminua os níveis hormonais, pode contribuir para enfraquecer os ossos. O médico pode sugerir medicamentos, ou suplementos alimentares, que possam reduzir o risco de fracturas ósseas.

OBSERVAÇÃO
As pessoas que optam apenas pela observação, evitam ou adiam os efeitos secundários da cirurgia e da radiação; no entanto, pode haver aspectos negativos desta escolha. Ao fazer apenas observação, pode ficar reduzida a probabilidade de controlo da doença, antes que esta se dissemine. Por outro lado, quando a pessoa for mais velha, e provavelmente desenvolver outros problemas de saúde, poderá ser difícil "gerir" o tratamento por cirurgia e radioterapia.
Algumas pessoas preferem não ficar apenas em observação, por desconforto em viver com um tumor por tratar, mesmo que seja um tumor com crescimento aparentemente lento. Se optar pela observação, e mais tarde mudar de ideia, deve discutir essa questão com o médico; quase sempre existe a possibilidade de uma abordagem diferente.

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Cancro do Pulmão


A maioria das formas de cancro do pulmão tem a sua origem nas células dos pulmões; no entanto, o cancro também pode propagar-se (metástase) ao pulmão a partir de outras partes do organismo como por exemplo a mama, o cólon, o rim, a tiróide, o estômago, o colo do útero, os testículos, os ossos e a pele.
O cancro do pulmão, responsável por 1,2 milhões de mortes anualmente afecta predominantemente os homens, no entanto a percentagem deste cancro nas mulheres tem vindo a aumentar em decorrência do aumento do tabagismo.

TIPOS DE CANCRO DO PULMÃO
Os tumores que têm início no pulmão, dividem-se em dois grupos principais: cancro do pulmão de não-pequenas células e cancro do pulmão de pequenas células, dependendo de qual o aspecto das células envolvidas, quando observadas ao microscópio. Estes dois tipos de cancro do pulmão, crescem e metastizam de formas diferentes, ou seja, têm um comportamento distinto e, como tal, são também tratados de forma diferente.
O cancro do pulmão de não-pequenas células, é mais comum que o cancro do pulmão de pequenas células e, geralmente, cresce e metastiza mais lentamente, ou seja, tem um comportamento menos agressivo. Existem três sub-tipos de cancro do pulmão de não-pequenas células; a sua designação provém do tipo de células onde o tumor se desenvolve: carcinoma de células escamosas (também chamado carcinoma epidermóide), adenocarcinoma e cancro pulmonar de grandes células.
O cancro do pulmão de pequenas células, por vezes chamado de cancro das células em "grão de aveia", é menos comum que o cancro do pulmão de não-pequenas células. Este tipo de tumor cresce mais rapidamente, e é mais provável que metastize para outros órgãos.

CAUSAS
O hábito de fumar cigarros é a causa principal de cancro do pulmão, pelo facto do tabaco possuir carcinógenos. A exposição a estas substâncias causa mudanças cumulativas no DNA do tecido que recobre os brônquios dos pulmões (o epitélio brônquico). Quanto mais o tecido é lesionado, maior a hipótese de desenvolvimento do cancro.
Uma proporção reduzida de cancros do pulmão (entre 10 % e 15 % nos homens e 5 % nas mulheres) é consequência das substâncias que se encontram ou que se aspiram no local de trabalho. Trabalhar com amianto, radiação, arsénico, crómio, níquel, éter clorometílico, gás mostarda e emissões de coque dos fornos relaciona-se com o cancro do pulmão, embora, geralmente, só nas pessoas que também fumam cigarros.
Está por determinar o papel que a poluição do ar desempenha como causadora do cancro do pulmão. A exposição ao gás radão em ambiente doméstico pode ser importante num número reduzido de casos. Às vezes, algumas formas de cancro do pulmão, especialmente o adenocarcinoma e o carcinoma de células alveolares, verificam-se em pessoas cujos pulmões têm cicatrizes produzidas por outras doenças pulmonares, como a tuberculose e a fibrose.
As causas e formas de prevenção do cancro do pulmão continuam a ser estudadas. No entanto, sabemos que a melhor forma de prevenir o cancro do pulmão é deixar de fumar (ou nunca começar). Quanto mais cedo deixar de fumar, melhor. Mesmo que tenha fumado durante muitos anos, nunca é tarde demais para beneficiar dos benefícios de deixar de fumar.

SINTOMAS DE ALERTA
Os sintomas e sinais mais comuns de cancro do pulmão incluem:
- Tosse que não desaparece e que piora com o passar do tempo;
- Dor constante no peito ou no abdómen;
- Tosse acompanhada de sangue;
- Dor na coluna vertebral (região dorsal);
- Falta de ar, asma ou rouquidão;
- Problemas recorrentes, com pneumonia ou bronquite;
- Inchaço do pescoço e rosto;
- Perda de apetite ou de peso;
- Fadiga;
- Chiado no peito.
- Difonia (representa qualquer dificuldade na emissão vocal que impeça a produção natural da voz).
- Dificuldade em engolir.
- Febre
- Cor da pele torna a ser mais amarelada.
- Queda de cabelos da cabeça e pubianos.
- Microbolhas pela pele.
- Unhas crescendo em deformação.
- Cheiro do corpo diferente principalmente atrás das orelhas.

Na maioria das vezes, estes sintomas não estão relacionados com um cancro, e podem, ainda, ser provocados por tumores benignos ou outros problemas. Só o médico poderá confirmar. Qualquer pessoa com estes sintomas, ou quaisquer outras alterações de saúde relevantes, deve consultar o médico, para diagnosticar e tratar o problema tão cedo quanto possível.
Geralmente, as fases iniciais do cancro não causam dor. Se tem estes sintomas, não espere até ter dor, para consultar o médico.

DIAGNÓSTICO
Para ajudar a encontrar a causa dos sintomas, o médico avalia a história médica da pessoa, o histórico como fumador, a exposição ambiental ou ocupacional a determinadas substâncias e a história familiar de cancro. O médico efectua, ainda, um exame físico e pode pedir uma radiografia (raio-X) torácica (embora esta possa não detectar os pequenos tumores), entre outros exames. Se há suspeita de cancro do pulmão, pode ser útil fazer uma citologia da expectoração (exame microscópico das células obtidas de uma amostra de muco dos pulmões, obtido através da tosse); é um teste simples. Para confirmar a presença de cancro do pulmão, o médico tem de examinar tecido do pulmão. Através de uma biópsia, ou seja, removendo uma pequena amostra de tecido, para exame ao microscópio por um patologista, pode ser confirmado um cancro do pulmão. Para obtenção deste tecido, podem ser seguidos vários procedimentos:
- Broncoscopia: o médico insere um broncoscópio (um tubo fino e iluminado), dentro da boca ou nariz e "empurra-o" através da traqueia, para ver as passagens de ar. Através deste tubo, o médico pode recolher células ou pequenas amostras de tecido.
Aspiração por agulha: é inserida uma agulha no tumor, através do peito, para remoção de uma amostra de tecido.
- Toracocentese: usando uma agulha, o médico remove uma amostra do fluido que envolve os pulmões, para procurar células cancerígenas.
Toracotomia: a cirurgia para abrir o peito é, algumas vezes, necessária para diagnosticar o cancro do pulmão. Este procedimento é uma grande operação e é sempre realizada no hospital.
A classificação das formas de cancro baseia-se no tamanho do tumor, na sua possível propagação aos gânglios linfáticos próximos e na sua possível expansão a órgãos distantes. As diversas categorias denominam-se fases. Cada fase de um cancro tem o seu tratamento mais apropriado e permite ao médico estabelecer o prognóstico.

TRATAMENTO
O tratamento depende de uma série de factores, incluindo o tipo de cancro do pulmão: cancro do pulmão de pequenas células, o tamanho, a localização, a extensão do tumor e o estado geral de saúde da pessoa. Podem ser usados diferentes tratamentos e associações de tratamentos, para controlar o cancro do pulmão e/ou para melhorar a qualidade de vida da pessoa, através da redução dos sintomas.

CIRURGIA
A cirurgia é uma operação para remoção do tumor. O tipo de cirurgia realizada depende da localização do tumor, no pulmão. Uma operação para remoção de apenas uma pequena parte do pulmão, chama-se ressecção segmentar ou em cunha. Quando o cirurgião remove um lobo inteiro do pulmão, o procedimento chama-se lobectomia. A pneumectomia corresponde à remoção total de um pulmão. Alguns tumores não são operáveis, ou seja, não podem ser removidos por cirurgia, devido ao seu tamanho ou localização; por outro lado, algumas pessoas não podem ser submetidas a cirurgia, por outros motivos médicos.

Quimioterapia
A quimioterapia é a utilização de fármacos anti-cancerígenos, para matar células tumorais em todo o organismo. Mesmo após a remoção do cancro do pulmão, as células cancerígenas podem, ainda, estar presentes em tecidos vizinhos ou noutro local do organismo. A quimioterapia pode ser usada para controlar o crescimento do tumor ou para aliviar os sintomas. Grande parte dos fármacos anti-cancerígenos, são administrados por injecção directa numa veia (IV), ou através de um catéter (tubo fino colocado numa veia grande, e que fica colocado enquanto for necessário). Alguns fármacos anti-cancerígenos são administrados por via oral, sob a forma de comprimidos.

Radioterapia
Terapia por radiação, também chamada de radioterapia, envolve a utilização de raios de elevada energia, para matar as células cancerígenas. A radioterapia é direccionada para uma área limitada e afecta as células cancerígenas apenas na área onde incidiu. A radioterapia pode ser usada antes da cirurgia, para diminuir o tamanho de um tumor, ou após a cirurgia, para destruir quaisquer células cancerígenas que tenham ficado na área tratada. Muitas vezes o médico usa a radioterapia, combinada com a quimioterapia, como tratamento primário do tumor, em vez da cirurgia. A radioterapia também pode ser usada para aliviar os sintomas, como por exemplo a falta de ar. A radiação, no tratamento do cancro do pulmão vem, normalmente, de uma máquina (radiação externa). A radiação também pode provir de um implante (pequeno contentor de material radioactivo), colocado directamente no tumor ou perto deste (radiação interna ou braquiterapia).

Terapêutica Fotodinâmica
Terapêutica Fotodinâmica (PDT), um tipo de terapêutica por laser, envolve o uso de um químico especial, que é injectado na corrente sanguínea e absorvido pelas células, em todo o organismo. O químico deixa rapidamente as células normais, mas permanece nas células cancerígenas, durante mais tempo. Um raio laser, dirigido para o tumor, activa o químico que mata, então, as células que o absorveram. A terapêutica fotodinâmica pode ser usada para reduzir os sintomas de cancro do pulmão, por exemplo, para controlar as perdas de sangue ou para aliviar problemas respiratórios, devido a vias respiratórias obstruídas, quando o tumor não pode ser removido pela cirurgia. A terapêutica fotodinâmica também pode ser usada para tratar tumores muito pequenos, em pessoas para quem os tratamentos usuais para o cancro do pulmão não são adequados.
Para muitas pessoas com cancro do pulmão, a participação em ensaios clínicos (estudos de investigação) é uma opção. Em alguns estudos, todas as pessoas recebem o novo tratamento; noutros, as diferentes terapêuticas são comparadas: algumas pessoas recebem o novo tratamento e outras recebem a terapêutica habitual (padrão). Através da investigação, estão a ser explorados novos métodos, possivelmente mais eficazes, de tratar o cancro do pulmão.

Tratamento do Cancro do Pulmão de não-pequenas células
O cancro do pulmão de não-pequenas células, pode ser tratado de diversas formas. A escolha do tratamento depende, principalmente, do tamanho, localização e extensão do tumor. A cirurgia, é o tratamento mais comum para este tipo de cancro do pulmão. A criocirurgia, um tratamento que congela e destrói o tecido cancerígeno, pode ser usada para controlar os sintomas, nos estádios mais avançados do cancro do pulmão de não-pequenas células. A radioterapia e a quimioterapia, também podem ser usadas para atrasar o progresso da doença e para controlar os sintomas.

Tratamento do cancro do pulmão de pequenas células
O cancro do pulmão de pequenas células, metastiza rapidamente. Em muitos casos, quando a doença é diagnosticada, as células cancerígenas já se disseminaram para outras partes do organismo. Para atingir as células cancerígenas, em todo o organismo, quase sempre é feita quimioterapia. O tratamento também pode incluir radioterapia, dirigida ao tumor no pulmão ou a tumores noutras partes do corpo, tal como o cérebro. Alguns doentes fazem radioterapia ao cérebro, apesar de não ter sido encontrado qualquer tumor. Este tratamento, chamado radioterapia profilática ao crânio, é feito para prevenir que se formem tumores no cérebro. A cirurgia, faz parte do plano de tratamentos de um pequeno número de pessoas com cancro do pulmão de pequenas células.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSÍVEIS
Tendo em conta que, provavelmente, o tratamento do cancro danifica células e tecidos saudáveis surgem, assim, os efeitos secundários. Alguns efeitos secundários específicos dependem, principalmente, do tipo de tratamento e sua extensão (se são tratamentos locais ou sistémicos). Os efeitos secundários podem não ser os mesmos em todas as pessoas, mesmo que estejam a fazer o mesmo tratamento. Por outro lado, os efeitos secundários sentidos numa sessão de tratamento podem mudar na sessão seguinte. O médico irá explicar os possíveis efeitos secundários do tratamento e qual a melhor forma de os controlar.

Cirurgia
A cirurgia do cancro do pulmão é uma grande operação. Após a cirurgia do pulmão, o ar e os fluidos tendem a acumular-se no peito. Muitas vezes, a pessoa necessita de ajuda para se virar, tossir e respirar profundamente. No entanto, estas actividades são importantes, para recuperação, porque ajudam na expansão do restante tecido pulmonar e porque ajudam a eliminar o excesso de fluido e ar. Depois de uma cirurgia para o cancro do pulmão, é comum haver dor ou fraqueza no peito e no braço, bem como falta de ar. Para readquirir a energia e força "normais", podem ser necessárias várias semanas ou meses.

Quimioterapia
A quimioterapia, afecta tanto as células normais como as cancerígenas. Os efeitos secundários dependem, essencialmente, dos fármacos específicos e da dose (quantidade de fármaco administrada). Os efeitos secundários mais comuns da quimioterapia são náuseas e vómitos, perda de cabelo, feridas na boca e cansaço.

- Radioterapia
A radioterapia, tal como a quimioterapia, afecta tanto as células normais como as células cancerígenas. Os efeitos secundários da radioterapia dependem, principalmente, da zona do corpo que está a ser tratada e da dose de tratamento. Os efeitos secundários mais comuns da radioterapia são: garganta seca e inflamada, dificuldade em deglutir, cansaço, alterações na pele, no local do tratamento e perda de apetite. A radioterapia no cérebro, pode provocar dor de cabeça, alterações na pele, cansaço, náuseas e vómitos, perda de cabelo, problemas com a memória e processos intelectuais.

Terapêutica Fotodinâmica
A terapêutica fotodinâmica torna a pele e os olhos sensíveis à luz, durante aproximadamente 6 semanas, ou mais, após o tratamento. A pessoa deverá ser alertada para evitar a luz do sol, directa e luz forte interior durante, pelo menos, 6 semanas. Se a pessoa tiver que sair de casa, é necessário usar roupa protectora, incluindo óculos de sol. Outros efeitos secundários da PTD podem incluir tosse, dificuldade em engolir, dor ao respirar e falta de ar. Deverá falar com o médico, relativamente ao que fazer se a pele apresentar bolhas, vermelhidão ou inchaço. Se tal acontecer, avise o seu médico.
Em qualquer estádio da doença, podem ser administrados medicamentos para controlar a dor e outros sintomas do cancro, bem como para aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento. Estes tratamentos são designados como tratamentos de suporte, para controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

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Cancro do Cérebro

Tumores Cerebrais Primários e Secundários
Um tumor que surge inicialmente no cérebro é designado por tumor cerebral primário. Nas crianças, a maioria dos tumores cerebrais são primários. Nos adultos, a maioria dos tumores cerebrais correspondem a tumores do pulmão, da mama ou de outras regiões que metastizaram para o cérebro. Quando tal acontece, não se trata de um tumor cerebral, mas sim de um tumor secundário. A sua designação depende do órgão ou do tecido de origem.
O tratamento dos tumores cerebrais secundários depende do local de origem e da extensão da doença.

O Cérebro
O cérebro é uma massa de tecido mole e esponjoso. Encontra-se protegido pelos ossos da caixa craniana e por três membranas muito finas designadas por meninges. O líquido cefalorraquidiano, um fluído aquoso, protege e amortece o cérebro. Este fluído circula pelos espaços entre as meninges e pelos espaços no interior do cérebro designados por ventrículos.
Uma rede de nervos transporta mensagens bidireccionais entre o cérebro e o resto do organismo. Alguns nervos vão directamente do cérebro para os olhos, ouvidos e outras zonas da cabeça. Outros nervos percorrem a espinal medula, a fim de ligarem o cérebro às outras partes do organismo. No interior do cérebro e da espinal medula as células nervosas são rodeadas por células gliais, destinadas a mantê-las no lugar.
O cérebro controla tudo o que decidimos fazer (ex.: andar e falar) e aquilo que o nosso corpo faz sem termos de pensar (ex.: respirar). O cérebro é ainda responsável pelos nossos sentidos (visão, audição, tacto, paladar e olfacto) e pela memória, emoções e personalidade.

As três principais estruturas do cérebro controlam diversas actividades:
• Cérebro – O cérebro é a porção mais volumosa do encéfalo e situa-se na parte superior do cérebro. Utiliza a informação dos nossos sentidos para nos informar sobre o que nos rodeia e indica ao nosso organismo como deve reagir. Controla a leitura, o pensamento, a aprendizagem, a linguagem e as emoções.
O cérebro é composto pelos hemisférios cerebrais direito e esquerdo, que controlam actividades distintas. O hemisfério direito controla os músculos do lado esquerdo do corpo. O hemisfério esquerdo controla os músculos do lado direito do corpo.
• Cerebelo – O cerebelo situa-se na parte posterior do cérebro. O cerebelo controla o equilíbrio, bem como acções mais complexas, como andar e falar.
• Tronco Cerebral – O tronco cerebral liga o encéfalo à espinal medula. Controla a fome, a sede, a respiração, a temperatura corporal, a pressão arterial e outras funções básicas do corpo.

GRAU DO TUMOR
Os tumores cerebrais são classificados de acordo com uma escala em graus: de baixo grau (grau I) a alto grau (grau IV). O grau do tumor está relacionado com o aspecto das células sob observação microscópica. As células de tumores de alto grau têm um aspecto mais anómalo e tendem a crescer mais depressa do que as células de tumores de baixo grau.

Tumores Cerebrais Primários
Os tumores com origem no tecido cerebral são conhecidos como tumores primários do cérebro. Os tumores cerebrais primários são classificados de acordo com o tipo de células ou com a parte do encéfalo onde tiveram origem.
Os tumores cerebrais primários mais comuns são os gliomas, que têm início nas células gliais. Existem vários tipos de gliomas:
• Astrocitoma – Tumor que deriva das células gliais em forma de estrela, designadas por astrócitos. Nos adultos, os astrocitomas desenvolvem-se mais frequentemente no cérebro. Nas crianças, surgem geralmente no tronco cerebral, cérebro e cerebelo. O astrocitoma de grau III é habitualmente designado por astrocitoma anaplásico. O astrocitoma de grau IV é frequentemente designado por glioblastoma multiforme.
• Glioma do tronco cerebral – Este tipo de tumor surge na zona inferior do encéfalo. Os gliomas do tronco cerebral são diagnosticados sobretudo em crianças pequenas e adultos de meia-idade.
• Ependimoma – Tumor que se desenvolve a partir das células que revestem os ventrículos ou o canal central da espinal medula. Desenvolvem-se mais frequentemente em crianças e adultos jovens.
• Oligodendroglioma – Este tumor raro tem origem nas células que constituem a substância adiposa que envolve e protege os nervos. Em geral, estes tumores surgem no cérebro. A sua progressão é lenta e habitualmente não se disseminam para os tecidos cerebrais adjacentes. São mais frequentes em adultos de meia-idade.

Existem alguns tipos de tumores cerebrais que não têm origem nas células gliais, tais como:
• Meduloblastoma – Este tumor tem origem no cerebelo. É o tumor cerebral mais comum em crianças, sendo, por vezes, designado por tumor neuroectodérmico primitivo.
• Meningioma – Este tumor desenvolve-se nas meninges. Habitualmente, o seu crescimento é lento.
• Schwannoma – Este tumor raro desenvolve-se a partir de uma célula de Schwann. Estas células revestem o nervo que controla o equilíbrio e a audição. Este nervo está localizado no ouvido. Este tumor também é designado por neuroma acústico e ocorre mais frequentemente em adultos.
• Craniofaringioma – Este tumor cresce na base do encéfalo junto à glândula pituitária (glândula endócrina do tamanho de um ervilha, localizada na base do cérebro. É ela que regula e controla a secreção de hormonas de outras glândulas endócrinas e muitos sistemas do organismo, produzindo, ela mesma, uma gama de hormonas.). Este tipo de tumor ocorre mais frequentemente em crianças.
• Tumor de células germinais do cérebro – Este tumor tem origem nas células erminais (Nos organismos multicelulares, as células germinativas são células que podem dar origem aos gâmetas, no caso dos animais, o espermatozóide e o óvulo).
• Tumor da região pineal – Este tumor cerebral raro desenvolve-se na glândula pineal ou perto dela. A glândula pineal está localizada entre o cérebro e o cerebelo.

Tumores Cerebrais Secundários
Quando o cancro atinge outra zona do organismo, a partir do seu local de origem, o novo tumor tem o mesmo tipo de células e o mesmo nome que o tumor de origem. Um cancro que se dissemina para o encéfalo, a partir de outra parte do corpo, é diferente do tumor cerebral primário. Quando as células cancerígenas se disseminam para o encéfalo, a partir de outro órgão (ex.: pulmão ou mama), o tumor passa a receber a designação de tumor secundário ou tumor metastizado. Os tumores cerebrais secundários são muito mais comuns do que os tumores primários.

GRUPOS DE RISCO
Não se conhece com exactidão a causa dos tumores cerebrais. Os médicos raramente conseguem explicar o porquê de algumas pessoas desenvolverem um tumor cerebral e outras não. Contudo, sabe-se que não é uma doença contagiosa.
A investigação mostra que as pessoas com determinados factores de risco estão mais predispostas a desenvolver tumores cerebrais do que outras. Um factor de risco é algo que aumenta a possibilidade de se vir a desenvolver uma doença.
Os seguintes factores de risco estão associados a uma probabilidade acrescida de desenvolver um tumor cerebral primário:
• Sexo – De modo geral, os tumores cerebrais são mais frequentes nos homens do que nas mulheres. Contudo, os meningiomas ocorrem sobretudo em mulheres.
• Raça – Os tumores cerebrais surgem mais frequentemente em caucasianos do que noutras raças.
• Idade – A maioria dos tumores cerebrais é detectada a partir dos 70 anos. No entanto, os tumores cerebrais são o segundo tipo de cancro mais frequente nas crianças (a leucemia é o cancro mais frequente na infância). Estes são mais frequentes em crianças com menos de 8 anos.
• Antecedentes familiares – As pessoas com familiares que desenvolveram gliomas podem ter maior probabilidade de desenvolver esta doença.
Exposição a radiação ou a certos químicos no local de trabalho.
• Radiação – Os trabalhadores da indústria nuclear apresentam um risco acrescido de desenvolver um tumor cerebral.
• Formaldeído – Os patologistas e embalsamadores que trabalhem com formaldeído têm um risco acrescido de desenvolver um tumor cerebral. Não se observou risco acrescido de desenvolver tumores cerebrais noutros trabalhadores expostos ao formaldeído.
• Cloreto de Vinilo – Os trabalhadores da indústria de plástico podem estar expostos ao cloreto de vinilo. Este químico pode aumentar o risco de desenvolver tumores cerebrais.
• Acrilonitrilo – Os trabalhadores da indústria têxtil e dos plásticos podem estar expostos ao acrilonitrilo. Este químico pode aumentar o risco de desenvolver tumores cerebrais.
Prosseguem as investigações sobre a possível relação entre o uso de telemóveis e os tumores cerebrais. Os estudos efectuados até à data não confirmam essa relação.
Também continua a ser alvo de estudo a possível causalidade entre os traumatismos cranianos e o risco de desenvolver tumores cerebrais. Os estudos realizados até hoje não estabeleceram essa relação.
Muitas pessoas que apresentam factores de risco conhecidos não desenvolvem tumores cerebrais. Em contrapartida, muitas pessoas que desenvolvem a doença, não apresentam factores de risco conhecidos. As pessoas que pensem estar em risco devem consultar o seu médico. Este poderá sugerir formas de reduzir o risco e elaborar um calendário para a realização de exames médicos.

SINTOMAS DE ALERTA
Os sintomas de um tumor cerebral dependem do seu tamanho, do seu crescimento, do seu tipo e da sua localização. Os tumores em certas partes do cérebro podem alcançar um tamanho considerável antes de os sintomas se manifestarem; pelo contrário, noutras partes do cérebro, mesmo um tumor pequeno pode ter efeitos devastadores. Os sintomas podem surgir quando o tumor comprime um nervo ou danifica determinada área do encéfalo ou também quando o encéfalo incha ou o líquido dentro do crânio aumenta ou também, quando o tecido cerebral é destruído ou quando a pressão no cérebro aumenta; tais circunstâncias podem ocorrer quer o tumor cerebral seja benigno, quer seja maligno. No entanto, quando o tumor cerebral é uma metástase proveniente de um cancro distante, o doente pode também ter sintomas relacionados com esse cancro. Por exemplo, o cancro do pulmão pode causar tosse com muco sanguinolento ou o cancro da mama pode produzir um nódulo na mama.
Os sintomas mais frequentes dos tumores cerebrais são os seguintes:
• Dores de cabeça (geralmente mais fortes de manhã);
• Náuseas ou vómitos;
• Febres intermitentes;
• Alterações na fala, visão ou audição;
• Dificuldade em manter o equilíbrio ou andar;
• Alterações de humor, personalidade ou capacidade de concentração;
• Problemas de memória e incapacidade de pensar;
• Espasmos ou tremores musculares (ataques epilépticos, convulsões);
• Enfraquecimento, paralisia ou formigueiro nos braços ou pernas;
• Sonolência.
A dor de cabeça é normalmente o primeiro sintoma do tumor cerebral, embora a maioria das dores de cabeça se deva a causas diferentes. Uma dor de cabeça devida a um tumor cerebral reaparece geralmente com frequência ou é permanente; é muitas vezes intensa; pode aparecer em pessoas que nunca sofreram dores de cabeça; acontece de noite e já está presente ao acordar.
Estes sintomas não constituem sinais óbvios da existência de tumor cerebral, uma vez que podem dever-se a outras situações. As pessoas que apresentarem estes sintomas devem consultar o seu médico o mais rapidamente possível. Estes problemas só podem ser diagnosticados e tratados por um médico.

FORMAS DE DIAGNÓSTICO
As pessoas que apresentem sintomas indicativos de tumor cerebral, poderão ter de realizar um ou mais dos seguintes procedimentos:
• Exame físico – O médico verifica os sinais gerais de saúde.
• Exame neurológico – O médico verifica a agilidade, força muscular, coordenação, reflexos e resposta à dor. O médico também examina os olhos para identificar edemas que possam ser provocados pela compressão do tumor no nervo óptico, que liga o olho ao encéfalo.
• TAC – Através de um aparelho de raios X ligado a um computador, é possível obter várias imagens da cabeça. Poderá ser administrado material de contraste para se observar o encéfalo com maior nitidez. O material de contraste permite observar os órgãos e os tecidos de tumores cerebrais.
• RM – Um íman gigante ligado a um computador permite obter imagens detalhadas do interior do corpo. Estas imagens são visualizadas num monitor e podem ser impressas. Por vezes, é injectado um contraste para ajudar a visualizar diferenças nos tecidos cerebrais. As imagens podem evidenciar um tumor ou outro problema cerebral.
O médico poderá solicitar outros exames:
• Angiograma – Para este procedimento é injectado na corrente sanguínea um contraste que permite observar os vasos sanguíneos cerebrais no raio X. Se existir um tumor poderá ser visualizado no raio X.
• Raio X craniano – Alguns tipos de tumores cerebrais causam depósitos de cálcio no encéfalo ou alterações nos ossos cranianos. Através de raio X, o médico pode observar estas alterações.
• Punção lombar – Trata-se da colheita de uma amostra de líquido cefalorraquidiano (líquido que preenche os espaços dentro e em redor do encéfalo e da espinal medula). Para a realização deste procedimento é administrada anestesia local. O médico utiliza uma agulha fina e comprida para recolher líquido da espinal medula, procedimento que demora cerca de 30 minutos. O doente deve permanecer deitado durante várias horas após a punção, de modo a evitar dores de cabeça. No laboratório, é verificada a existência de células cancerígenas no líquido ou outros sinais de doença.
• Mielograma – Trata-se de um raio X da coluna vertebral. Efectua-se uma punção lombar para injectar um corante especial no líquido cefalorraquidiano. O doente deverá estar inclinado para que a solução corante se misture com o líquido. Este exame possibilita ao médico detectar um tumor na espinal medula.
• Biópsia – À colheita de tecidos para se determinar a presença de células cancerígenas dá-se o nome de biópsia. As células são observadas ao microscópio para detectar a existência de células anómalas. A biópsia pode revelar a presença de cancro, alterações nos tecidos passíveis de provocar cancro, bem como outras situações. A biópsia é o único método seguro para diagnosticar um tumor cerebral.
Os cirurgiões têm ao seu dispor três formas de colher tecidos:
• Biópsia aspirativa – O cirurgião realiza uma pequena incisão no couro cabeludo e efectua um pequeno orifício no crânio. Esta abertura é designada por orifício de trepanação. O médico faz passar uma agulha através do orifício de trepanação e recolhe uma amostra de tecido do tumor cerebral.
• Biópsia estereotáxica – Um dispositivo de imagiologia, como a TAC ou a RM, guia a agulha através do orifício de trepanação até ao local do tumor. O cirurgião recolhe uma amostra de tecido com a agulha.
• Biópsia em simultâneo com o tratamento – Por vezes, o cirurgião recolhe uma amostra de tecido enquanto o doente é submetido à cirurgia para remover o tumor.
Por vezes, não é possível efectuar uma biópsia. Se o tumor estiver localizado no tronco cerebral ou em determinadas áreas, o cirurgião poderá não conseguir remover tecido do tumor sem lesionar o tecido cerebral normal. Em alternativa, o médico recorre à RM, TAC ou a outros exames imagiológicos.

MÉTODOS DE TRATAMENTO
Existem várias opções de tratamento para os doentes com tumores. O tratamento depende de vários factores, designadamente o tipo de tumor, a localização, o tamanho e o grau do tumor. Assim, os doentes podem ser submetidos a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Em certos tipos de tumor cerebral, o médico também necessita de saber se foram identificadas células cancerígenas no líquido cefalorraquidiano. Alguns doentes recebem um tratamento combinado. Os especialistas que tratam tumores cerebrais são os neurocirurgiões, neuro-oncologistas, oncologistas e radioterapeutas.
Em qualquer estádio de evolução da doença, os doentes podem receber tratamento para controlar a dor e outros sintomas, para atenuar os efeitos secundários do tratamento e para reduzir os problemas emocionais. Este tipo de tratamento é designado por controlo dos sintomas, cuidados de suporte ou cuidados paliativos.

Cirurgia
A cirurgia é um tratamento comum para a maior parte dos tumores cerebrais. A cirurgia para abrir o crânio é designada por craniotomia. Este procedimento é realizado mediante anestesia geral. Antes de iniciar a cirurgia, o couro cabeludo é rapado; o cirurgião efectua então uma incisão no couro cabeludo e utiliza um tipo especial de serra para remover um osso do crânio. Depois de remover parte ou a totalidade do tumor, o cirurgião cobre a abertura do crânio com o osso removido ou com uma peça metálica ou de tecido. Por fim, o cirurgião fecha a incisão do couro cabeludo.
Por vezes, não é possível realizar a cirurgia. Se o tumor estiver localizado no tronco cerebral ou noutras áreas, o cirurgião poderá não conseguir remover o tumor sem lesionar o tecido cerebral normal. Os doentes que não podem ser submetidos a cirurgia, são tratados com radiação ou outras abordagens.

Radioterapia
A radioterapia (terapia por radiação) utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas. A radiação é emitida a partir de raios X, raios gama ou protões. Um aparelho de grande dimensão dirige a radiação para o tumor e para os tecidos adjacentes. Por vezes, a radiação pode ser direccionada para todo o encéfalo ou para a espinal medula.
Geralmente, a terapia por radiação é efectuada depois da cirurgia. A radiação mata as células tumorais que possam ter permanecido nessa região. Os doentes que não podem ser submetidos a cirurgia são muitas vezes tratados com radiação.
Devem ser tomadas medidas para proteger o tecido saudável em redor do tumor cerebral:
• Fraccionamento – Geralmente, a radioterapia é administrada 5 dias por semana, durante várias semanas. A administração da dose total de radiação por um período prolongado ajuda a proteger os tecidos saudáveis na área do tumor.
• Hiperfraccionamento – Nesta caso, são administradas ao doente doses menores de radiação, duas ou três vezes por dia, em vez de uma dose diária mais elevada.
• Terapia por radiação estereotáxica – Feixes estreitos de radiação são direccionados para o tumor, a partir de diferentes ângulos. Para este procedimento, é utilizada uma armação rígida para a cabeça do doente. A ressonância magnética (RM) ou TAC criam imagens com a localização exacta do tumor. O médico utiliza o computador para decidir qual a dose de radiação necessária, bem como o tamanho e os ângulos dos feixes. Esta terapia pode ser administrada numa única consulta ou em várias.
• Terapia por radiação tridimensional conformada – O computador cria uma imagem tridimensional do tumor e do tecido cerebral circundante. O médico dirige múltiplos feixes de radiação para o local exacto do tumor. A focagem precisa dos feixes de radiação protege os tecidos cerebrais normais.
• Terapia por radiação com feixe de protões – Neste caso, a fonte de radiação são os protões, em vez dos raios X. O médico dirige os feixes de protões para o tumor. Os protões conseguem atravessar os tecidos saudáveis sem os danificar.

Quimioterapia
A quimioterapia (QT) esta abordagem utiliza fármacos para matar células cancerígenas, e é também utilizada no tratamento de tumores cerebrais. Os fármacos podem ser administrados por via oral ou injectável. Em ambos os casos, os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam pelo corpo. Em geral, são administrados em ciclos, de modo a que haja um período de recuperação a seguir a cada período de tratamento.
As crianças têm maior probabilidades de serem submetidas a quimioterapia do que os adultos. No entanto, os adultos podem receber quimioterapia após a cirurgia e a radioterapia.
Em alguns doentes com cancro cerebral recorrente, o cirurgião remove o tumor e implanta vários discos contendo quimioterapia. Cada disco é mais ou menos do tamanho de uma moeda. O disco dissolve-se ao longo de várias semanas, libertando o fármaco no encéfalo para matar as células cancerígenas.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSÍVEIS
Tendo em conta que o tratamento pode danificar células e tecidos saudáveis, é possível que ocorram efeitos secundários. Estes efeitos dependem de diversos factores, designadamente a localização e o tipo de tumor, e a extensão do tratamento. Os efeitos secundários não são semelhantes em todas as pessoas, podendo, inclusivamente, variar entre as diversas sessões de tratamento. Antes de iniciar o tratamento, os médicos e enfermeiros explicarão quais são os possíveis efeitos secundários resultantes do tratamento e como lidar com eles.

Cirurgia
Nos primeiros dias após a cirurgia, os doentes sentem habitualmente dores de cabeça ou desconforto, que podem ser controlados com medicação. Os doentes não devem ter receio de falar com o médico ou enfermeiro sobre as formas de aliviar a dor.
Também é normal que os doentes se sintam cansados ou débeis. O tempo de recuperação após uma operação varia de doente para doente.
A quantidade de sangue ou de líquido cefalorraquidiano pode aumentar no encéfalo. A este inchaço dá-se o nome de edema. A equipa médica monitoriza os doentes para detectar sinais destas complicações. Podem ser administrados esteróides ao doente para aliviar este inchaço. Pode ser necessária uma segunda cirurgia para drenar o líquido. O cirurgião coloca um tubo fino e comprido (shunt) num ventrículo cerebral. Este tubo é ligado, por baixo da pele, a outra zona, geralmente o abdómen. O líquido em excesso é retirado do encéfalo e drenado para o interior do abdómen, ou eventualmente para o coração.
As infecções são outra possível complicação que pode surgir após a cirurgia. Se tal acontecer, o doente deverá ser tratado com um antibiótico.
A cirurgia cerebral pode danificar o tecido cerebral normal, o que constitui um problema grave. O doente pode ter dificuldade em pensar, ver ou falar e, ainda, sofrer alterações de personalidade ou ataques epilépticos. A maioria destes problemas diminui ou desaparece com o tempo. No entanto, os danos cerebrais podem ser permanentes, o que leva o doente a recorrer a fisioterapia, terapia da fala ou terapia ocupacional.

Radioterapia
Depois do tratamento, alguns doentes têm náuseas durante várias horas. A radioterapia pode, ainda, causar uma grande fadiga à medida que o tratamento decorre. É fundamental repousar, embora os médicos aconselhem os doentes a permanecer o mais activos possível.
Na maioria dos casos, a radioterapia causa queda de cabelo, embora este volte a crescer após alguns meses. A radioterapia pode também provocar alterações cutâneas na região tratada. O couro cabeludo e as orelhas podem ficar avermelhados, secos e sensíveis.
A radioterapia pode também originar um inchaço nos tecidos cerebrais. Os doentes podem ter dores de cabeça ou uma sensação de pressão. A equipa médica deverá controlar estes sintomas com medicação, de forma a reduzir o desconforto.
A radiação pode destruir tecidos cerebrais saudáveis. A este efeito secundário dá-se o nome de necrose por radiação. A necrose pode causar dores de cabeça, ataques epilépticos ou até levar à morte do doente.
Nas crianças, a radiação pode danificar a glândula pituitária, bem como outras áreas do encéfalo, daí resultando dificuldades de aprendizagem ou atraso no crescimento e desenvolvimento. A radiação durante a infância aumenta o risco de desenvolvimento de futuros tumores secundários. Prossegue a investigação para determinar se, em vez da radioterapia, as crianças com tumores cerebrais podem receber quimioterapia.
Os efeitos secundários podem ser mais graves se a quimioterapia e a radioterapia forem administradas simultaneamente.

Quimioterapia
Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos utilizados. Os efeitos secundários mais frequentes são: febre e arrepios, náuseas e vómitos, perda de apetite e fraqueza. Alguns efeitos secundários podem ser aliviados com medicamentos.
Os doentes que coloquem um implante (ou disco) com fármaco são monitorizados pela equipa médica para detectar quaisquer sinais de infecção pós-operatória. As infecções podem ser tratadas com antibióticos.

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Cancro do Colo do Útero

São diagnosticadas anualmente cerca de 500.000 cancros do colo do útero em todo o mundo e 250.000 mulheres morrem por esta doença neste período de tempo (o equivalente a quase 685 mulheres por dia ou 30 por hora).
Na Europa, são anualmente diagnosticados cerca de 33.500 cancros do colo do útero e 15.000 mulheres morrem em consequência da doença por ano (o equivalente a 40 mulheres por dia e duas mulheres por hora).
Apesar do rastreio para a detecção numa fase inicial, o cancro do colo do útero permanece a segunda maior causa de morte (a seguir ao cancro da mama) entre mulheres jovens (idades compreendidas entre os 15 – 44), na Europa.
O cancro do colo o útero é causado exclusivamente pelo Papilomavírus Humano.
Estima-se que aproximadamente 70% de pessoas sexualmente activas serão expostas ao Papilomavírus Humano num determinado momento das suas vidas, frequentemente na adolescência ou na fase de jovens adultos.
A vacina do cancro do colo do útero cobre os tipos de Papilomavírus Humanos que causam 75% dos casos de cancro do colo do útero.
Estudos aplicando modelos matemáticos nos EUA demonstraram recentemente que a vacinação contra o cancro do colo do útero pode prevenir até 91% destes cancros cujos vírus são cobertos pela vacina, dependendo da estratégia de vacinação.
A primeira vacina contra o cancro do colo do útero foi aprovada nos EUA em Junho de 2006 e na União Europeia em Setembro de 2006. Até à data, foi aprovada em 55 países a nível mundial.


O QUE É O CANCRO DO COLO DO ÚTERO?
O colo do útero faz parte do aparelho reprodutor feminino. É a parte inferior e mais estreita do útero (órgão oco, em forma de pêra, situado no abdómen inferior), que liga o corpo do útero à vagina. O colo do útero passa por diversas alterações ao longo da vida da mulher (puberdade, parto, menopausa). A região onde a parte externa do colo do útero (exocolo do útero) encontra a parte interna (endocolo do útero), é muito sensível. É nesta região que começa a maior parte dos cancros do colo do útero.


FACTORES DE RISCO
Os médicos nem sempre conseguem explicar por que é que algumas mulheres desenvolvem cancro do colo do útero e outras não.
Contudo, sabe-se que uma mulher com determinados factores de risco está mais predisposta do que outras a desenvolver cancro cervical. Um factor de risco é algo que aumenta a possibilidade de se vir a desenvolver a doença. Estudos efectuados identificaram alguns factores que podem aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero. Quando presentes em simultâneo, estes factores aumentam ainda mais o risco:
• Vírus do papiloma humano (HPV): a infecção por HPV é o principal factor de risco para o cancro do colo do útero. O HPV é um conjunto de vírus que pode infectar o colo do útero. As infecções por HPV são muito frequentes. Estes vírus podem ser transmitidos de pessoa para pessoa através de contacto sexual, sendo que a maioria dos adultos já foi num dado momento da sua vida infectada com HPV. Alguns tipos de HPV podem provocar alterações nas células do colo do útero, alterações essas que podem originar verrugas, cancro e outras complicações genitais. Os médicos devem verificar se há sinais de HPV, mesmo que não existam verrugas ou outros sintomas. Se uma mulher tiver uma infecção por HPV, o médico pode sugerir algumas formas de evitar o contágio a outras pessoas. O exame de Papanicolau pode detectar alterações nas células do colo do útero causadas por HPV. O tratamento destas alterações celulares pode evitar o desenvolvimento de cancro do colo do útero. Existem vários métodos de tratamento, designadamente congelar ou queimar o tecido infectado. Pode também ser utilizada medicação. A vacinação das mulheres entre os 9 e os 26 anos protege-as de dois subtipos de infecção por HPV, que provocam cancro do colo do útero. Em Portugal esta vacina passou a fazer parte do Plano Nacional de Vacinação.
• Não realizar o exame de Papanicolau regularmente: o cancro do colo do útero é mais frequente em mulheres que não realizam periodicamente o exame de Papanicolau. Este exame possibilita a detecção de células pré-cancerígenas. O tratamento das alterações cervicais pré-cancerígenas previne, muitas vezes, o desenvolvimento de cancro.
• Sistema imunitário enfraquecido (o sistema de defesa natural do organismo): as mulheres infectadas com VIH (o vírus que provoca SIDA) ou sob medicação inibidora do sistema imunitário, apresentam risco aumentado de desenvolver cancro do colo do útero. Nestas mulheres, os médicos recomendam o rastreio regular do cancro do colo do útero.
• Idade: o cancro do colo do útero ocorre com maior frequência a partir dos 40 anos de idade.
• História sexual: as mulheres que tenham tido muitos parceiros sexuais apresentam risco aumentado para o desenvolvimento do cancro do colo do útero. As mulheres que tenham tido relações sexuais com homens que, por sua vez, tenham tido muitas parceiras sexuais, apresentam também maior risco de desenvolver cancro do colo do útero. Em ambos os casos, o risco é acrescido, uma vez que estas mulheres têm maior risco de infecção por HPV.
• Tabagismo: as mulheres fumadoras com infecção por HPV apresentam um risco acrescido de desenvolver cancro do colo do útero.
• Tomar a pílula durante longos períodos de tempo: tomar a pílula durante longos períodos de tempo (5 anos ou mais) pode aumentar o risco de desenvolver cancro do colo do útero, em mulheres infectadas por HPV.
• Ter muitos filhos: estudos efectuados sugerem que as mulheres infectadas por HPV que tenham muitos filhos, podem apresentar risco acrescido para o desenvolvimento de cancro do colo do útero.
• O dietilestilbestrol (DES) pode aumentar o risco de desenvolver uma forma rara de cancro do colo do útero e outros tipos de cancro do aparelho reprodutor feminino, em crianças do sexo feminino expostas a este fármaco antes do nascimento. Nos Estados Unidos, o DES foi administrado a mulheres grávidas, entre 1940 e 1971 (actualmente não é prescrito a mulheres grávidas).
As mulheres que pensem estar em risco de desenvolver cancro do colo do útero, devem debater esta questão com o seu médico e podem, eventualmente, marcar um exame médico completo.

SINTOMAS
Infelizmente, o cancro do colo do útero pode não apresentar quaisquer sintomas ou sinais até atingir uma fase avançada.
Os sintomas e sinais de cancro do colo do útero pode incluir:
• Hemorragia vaginal anormal
- à Hemorragia entre períodos menstruais regulares.
- à Hemorragia após relação sexual, irrigação vaginal ou exame pélvico
- à Períodos menstruais mais prolongados e intensos do que anteriormente
- à Hemorragias após a menopausa
• Dor durante as relações sexuais
• Corrimento vaginal anormal
• Dores pélvicas

Assim, se tiver algum destes sintomas ou sinais, é importante consultar rapidamente o seu médico. No entanto, estes podem estar também associados a outras causas.


FORMAS DE DETECÇÃO
O rastreio é fundamental para detectar alterações cervicais antes da manifestação de sintomas. O rastreio permite ao médico detectar células anómalas antes do cancro se desenvolver. A identificação e o tratamento de células anómalas pode prevenir a maioria dos cancros cervicais. O rastreio pode, também, ser útil para detectar cancros precoces, numa altura em que o tratamento tem maior probabilidade de ser eficaz.
Nas últimas décadas, o número de casos de cancro do colo do útero diagnosticados anualmente tem vindo a diminuir, fenómeno que os médicos atribuem sobretudo ao sucesso do rastreio.
Os médicos recomendam às mulheres que efectuem regularmente o exame de Papanicolau, de forma a reduzir o risco de desenvolver cancro do colo do útero. O exame de Papanicolau (por vezes designado por esfregaço Papanicolau ou esfregaço cervical) é um procedimento simples utilizado para analisar as células cervicais que, em geral, não é doloroso. O exame de Papanicolau realiza-se num consultório médico ou clínica, durante o exame pélvico. O médico ou a enfermeira recolhe (“raspa”) uma amostra de células do colo do útero, colocando-as, posteriormente, numa lâmina de vidro (esfregaço). Num tipo novo de exame de Papanicolau (citologia líquida), as células são mergulhadas num pequeno recipiente com líquido; um aparelho especial coloca as células nas lâminas. Nos 2 tipos de exame de Papanicolau, o laboratório analisa ao microscópio as células nas lâminas para detecção de quaisquer anomalias.


DIAGNÓSTICO
Se uma mulher apresentar um dos sintomas típicos ou um resultado do exame de Papanicolau que possa sugerir a presença de células pré-cancerígenas ou de cancro do colo do útero, o médico irá certamente sugerir outros procedimentos para obter o diagnóstico, designadamente:
• Colposcopia: utilização de um colposcópio para analisar o colo do útero. O colposcópio associa uma luz brilhante a uma lente de aumento para facilitar a visualização do tecido. Não é inserido na vagina. Em geral, a colposcopia realiza-se num consultório médico ou clínica.
• Biópsia: o médico recolhe tecido para proceder à pesquisa de células pré-cancerígenas ou cancerígenas. A maioria das biópsias são feitas no consultório médico mediante anestesia local. Posteriormente, o tecido será examinado por microscopia por um patologista.
o Biópsia por punção: o médico utiliza um dispositivo oco e afiado para retirar pequenas quantidades de tecido cervical.
o LEEP: o médico utiliza um fio eléctrico com laço para cortar uma porção fina e arredondada de tecido.
o Curetagem endocervical: o médico utiliza uma cureta (pequeno instrumento em forma de colher) para raspar uma pequena amostra de tecido do canal cervical. Pode utilizar-se uma escova fina e macia em vez da cureta.
o Biópsia em cone: o médico recolhe uma amostra de tecido em forma de cone. A biópsia em cone, ou conização, permite ao patologista observar se existem células anómalas no tecido abaixo da superfície do colo do útero. Este exame pode ser feito no hospital mediante anestesia geral. A biópsia em cone pode ainda ser utilizada para remover uma zona pré-cancerígena.
A remoção de tecido do colo do útero pode provocar hemorragia ou corrimento. Regra geral, a zona cicatriza rapidamente. A mulher pode sentir alguma dor, semelhante às dores menstruais, e desconforto que é possível aliviar com medicação.

TRATAMENTO
As mulheres com cancro do colo do útero podem ser tratadas através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, radioterapia com quimioterapia ou uma combinação dos três métodos.
Em qualquer estádio da doença, as mulheres com cancro do colo do útero podem ser medicadas no sentido de controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários dos tratamentos e para atenuar problemas práticos e emocionais. Este tipo de tratamento é designado por cuidados de suporte, gestão dos sintomas ou cuidados paliativos.
Poderá, também, querer falar com o seu médico sobre a possível participação num ensaio clínico, um estudo de investigação de novos métodos de tratamento.

Cirurgia
A cirurgia trata o cancro localmente, no colo do útero e na área adjacente ao tumor.
A maioria das mulheres com cancro do colo do útero precoce é submetida a cirurgia para remover o colo do útero e o útero (histerectomia total). Contudo, em estádios de evolução muito precoces (estádio 0) de cancro do colo do útero, pode não ser necessário realizar uma histerectomia. Entre outras formas de excisão do tecido cancerígeno contam-se a biópsia core, a criocirurgia, a cirurgia laser ou LEEP.
Algumas mulheres necessitam de efectuar uma histerectomia radical. Na histerectomia radical é removido o útero, o colo do útero e parte da vagina. Tanto na histerectomia total como na histerectomia radical, podem remover-se as trompas de Falópio e os ovários. A este procedimento dá-se o nome de salpingo-ooforectomia.
É ainda possível remover os gânglios linfáticos adjacentes ao tumor, para determinar se contêm células cancerígenas. Se tal acontecer, a doença poderá ter-se disseminado para outras regiões do organismo.

Radioterapia
A radioterapia (terapia por radiação) utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas, afectando apenas as células da região tratada.
As doentes podem ser submetidas a radioterapia, radioterapia com quimioterapia ou quimioterapia com cirurgia. Para um pequeno número de mulheres que não possam ser submetidas a cirurgia por motivos clínicos, o médico pode sugerir a radioterapia como alternativa à cirurgia. A maioria das mulheres com cancro disseminado é submetida a radioterapia com quimioterapia. Para cancros que atingiram órgãos distantes, apenas a radioterapia é eficaz.
Para tratar o cancro do colo do útero os médicos utilizam dois tipos de radioterapia:
Radiação externa: a radiação é aplicada com um aparelho de grande dimensão que dirige a radiação para a área do tumor. A maioria das pessoas que recebe radiação externa é tratada 5 dias por semana durante 5 a 7 semanas, em regime de ambulatório.
Radiação interna (radioterapia intracavitária): os implantes (constituídos por uns tubos finos) são colocados na vagina, durante algumas horas ou até 3 dias; estes contêm uma substância radioactiva. Durante este tratamento, o doente fica hospitalizado alguns dias. Para proteger as outras pessoas da exposição à radiação, os doentes não podem ter visitas ou só podem tê-las durante um curto período de tempo, enquanto o implante estiver aplicado. Uma vez removido o implante, não fica qualquer radioactividade no organismo. A radiação interna pode ser repetida duas ou mais vezes, durante várias semanas.


Quimioterapia
A quimioterapia utiliza fármacos anti-neoplásicos para matar as células cancerígenas. É considerado um tratamento sistémico, uma vez que os fármacos entram na corrente sanguínea e afectam as células de todo o corpo. No tratamento do cancro do colo do útero é usual combinar a quimioterapia com a radioterapia. Em cancros que se disseminaram para órgãos distantes pode utilizar-se apenas quimioterapia.
Os fármacos anti-neoplásicos usados no tratamento do cancro do colo do útero são geralmente administrados por via intravenosa. Regra geral, as mulheres são submetidas ao tratamento no hospital em regime de ambulatório, no consultório médico ou em casa. Durante o tratamento, as doentes raramente necessitam de ser hospitalizadas.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSIVEIS
Tendo em conta que, muitas vezes, o tratamento causa danos ao nível dos tecidos e das células saudáveis, é comum o aparecimento de efeitos secundários indesejáveis. Os efeitos secundários dependem, em grande parte, do tipo e extensão do tratamento. Os efeitos secundários podem não ser os mesmos para todas as mulheres, e podem variar de uma sessão de tratamento para a seguinte. Antes de iniciar o tratamento, a equipa médica explicar-lhe-á quais são os possíveis efeitos secundários e poderá dar algumas sugestões para ajudar a lidar com estes efeitos.

Cirurgia
Depois da cirurgia, a cicatrização pode demorar algum tempo; o período de recuperação varia de mulher para mulher. Pode sentir-se desconfortável durante os primeiros dias. Contudo, existem medicamentos para controlar a dor. Antes da cirurgia, deve discutir o plano terapêutico com o seu médico ou enfermeiro. Depois da cirurgia, e se necessário, esse plano pode ser ajustado.
Se for submetida a cirurgia para remover um pequeno tumor localizado na superfície do colo do útero, pode sentir cãibras ou outras dores, hemorragias ou derrame de um líquido.
Se tiver sido submetida a histerectomia, o período de hospitalização pode variar entre alguns dias e uma semana. É normal sentir cansaço ou fraqueza durante algum tempo. Pode sentir náuseas e vómitos e ainda problemas intestinais e de bexiga. O médico pode restringir a sua dieta alimentar, iniciando-a apenas com líquidos e introduzindo, gradualmente, os alimentos sólidos. A maioria das mulheres retoma as suas actividades quotidianas 4 a 8 semanas após a cirurgia.
Após a histerectomia, as mulheres deixam de ter períodos menstruais. Não podem engravidar.
Quando os ovários são removidos, a menopausa ocorre imediatamente. Os afrontamentos e outros sintomas da menopausa causados pela cirurgia, podem ser mais intensos do que os causados por uma menopausa natural. Antes da cirurgia, poderá querer abordar este assunto com o seu médico. Alguns fármacos revelaram ser úteis no controlo destes sintomas, podendo ser mais eficazes se começarem a ser tomados antes da cirurgia.
Após a cirurgia, algumas mulheres podem sentir-se apreensivas relativamente à sua vida sexual. Muitas mulheres acabam por perceber que partilhar estas preocupações com o seu parceiro pode ser benéfico. Os casais poderão querer consultar um conselheiro que os ajude a expressar as suas preocupações.

Radioterapia
Os efeitos secundários dependem sobretudo da dose de radiação e da região a tratar. A radiação emitida para o abdómen e pélvis pode causar náuseas, vómitos, diarreia ou problemas urinários. Os pêlos da zona genital podem cair e a pele da área tratada pode ficar avermelhada, seca e sensível.
Pode sentir secura, prurido ou ardor na vagina. A radiação pode também estreitar a sua vagina. O médico ou enfermeiro podem sugerir formas de aliviar esse desconforto. Existem também formas de expandir a vagina, o que facilitará a realização dos exames de acompanhamento. O seu médico poderá recomendar-lhe que não tenha relações sexuais durante o tratamento. Porém, a maioria das mulheres pode retomar a sua actividade sexual algumas semanas após o tratamento terminar.
É natural que se sinta muito cansada durante a radioterapia, sobretudo nas últimas semanas de tratamento. O repouso é fundamental, embora os médicos recomendem às doentes que se mantenham o mais activas possível.
O seu médico pode sugerir formas de atenuar os efeitos secundários da radioterapia.

Quimioterapia
Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos e da dose que os doentes recebem. Os fármacos afectam as células cancerígenas e outras células que se dividem rapidamente:
• Células sanguíneas: Estas células combatem a infecção, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio para todo o organismo. Quando os fármacos afectam as células sanguíneas, os doentes ficam mais susceptíveis a infecções, equimoses e hemorragias e podem sentir-se muito fracos e cansados.
• Células da raiz do cabelo: A quimioterapia pode provocar queda de cabelo. O cabelo volta a nascer, embora o novo cabelo possa ter uma cor e textura ligeiramente diferentes.
• Células que revestem o aparelho digestivo: A quimioterapia pode provocar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia, feridas na boca e nos lábios.
Os fármacos utilizados no tratamento do cancro do colo do útero podem ainda causar erupções cutâneas, dificuldade de audição, perda de equilíbrio, dores articulares ou inchaço das pernas e dos pés.

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Cancro

No mundo inteiro, milhões de pessoas vivem com o diagnóstico de cancro.

A investigação constante, numa área de intervenção tão importante como o cancro é, inquestionavelmente, necessária. Cada vez se sabe mais sobre as suas causas, sobre a forma como se desenvolve e cresce, ou seja, como progride. Estão, também, a ser estudadas novas formas de o prevenir, detectar e tratar, tendo sempre em atenção a melhoria da qualidade de vida das pessoas com cancro, durante e após o tratamento.

O cancro é a proliferação anormal de células.

O cancro tem início nas células; um conjunto de células forma um tecido e, por sua vez, os tecidos formam os órgãos do nosso corpo. Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células. No seu ciclo de vida, as células envelhecem, morrem e são substituídas por novas células.

Algumas vezes, este processo ordeiro e controlado corre mal: formam-se células novas, sem que o organismo necessite e, ao mesmo tempo, as células velhas não morrem. Este conjunto de células extra forma um tumor mas, nem todos os tumores correspondem a cancro.

Nos países da Europa e América do Norte o cancro mais frequente no homem tem sido o da próstata e o cancro mais mortal no homem tem sido o do pulmão; o cancro mais frequente na mulher é o da mama e o cancro mais mortal na mulher é o do pulmão.

O tempo é determinante no combate ao cancro. Informe-se e, pela sua saúde, consulte o médico quando suspeitar dessa situação. Quanto mais cedo for detectado, maior a probabilidade de cura do cancro.



Visita ao Laboratório da Crioestaminal

Visita ao Laboratório da Crioestaminal

Peditório para a Liga Portuguesa Contra o Cancro

Peditório para a Liga Portuguesa Contra o Cancro
Este é o único comprovativo do grupo a dizer a quantia do peditório que realizamos.

Foto de grupo aquando do peditório.