quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cancro do Cérebro

quinta-feira, 27 de maio de 2010
Tumores Cerebrais Primários e Secundários
Um tumor que surge inicialmente no cérebro é designado por tumor cerebral primário. Nas crianças, a maioria dos tumores cerebrais são primários. Nos adultos, a maioria dos tumores cerebrais correspondem a tumores do pulmão, da mama ou de outras regiões que metastizaram para o cérebro. Quando tal acontece, não se trata de um tumor cerebral, mas sim de um tumor secundário. A sua designação depende do órgão ou do tecido de origem.
O tratamento dos tumores cerebrais secundários depende do local de origem e da extensão da doença.

O Cérebro
O cérebro é uma massa de tecido mole e esponjoso. Encontra-se protegido pelos ossos da caixa craniana e por três membranas muito finas designadas por meninges. O líquido cefalorraquidiano, um fluído aquoso, protege e amortece o cérebro. Este fluído circula pelos espaços entre as meninges e pelos espaços no interior do cérebro designados por ventrículos.
Uma rede de nervos transporta mensagens bidireccionais entre o cérebro e o resto do organismo. Alguns nervos vão directamente do cérebro para os olhos, ouvidos e outras zonas da cabeça. Outros nervos percorrem a espinal medula, a fim de ligarem o cérebro às outras partes do organismo. No interior do cérebro e da espinal medula as células nervosas são rodeadas por células gliais, destinadas a mantê-las no lugar.
O cérebro controla tudo o que decidimos fazer (ex.: andar e falar) e aquilo que o nosso corpo faz sem termos de pensar (ex.: respirar). O cérebro é ainda responsável pelos nossos sentidos (visão, audição, tacto, paladar e olfacto) e pela memória, emoções e personalidade.

As três principais estruturas do cérebro controlam diversas actividades:
• Cérebro – O cérebro é a porção mais volumosa do encéfalo e situa-se na parte superior do cérebro. Utiliza a informação dos nossos sentidos para nos informar sobre o que nos rodeia e indica ao nosso organismo como deve reagir. Controla a leitura, o pensamento, a aprendizagem, a linguagem e as emoções.
O cérebro é composto pelos hemisférios cerebrais direito e esquerdo, que controlam actividades distintas. O hemisfério direito controla os músculos do lado esquerdo do corpo. O hemisfério esquerdo controla os músculos do lado direito do corpo.
• Cerebelo – O cerebelo situa-se na parte posterior do cérebro. O cerebelo controla o equilíbrio, bem como acções mais complexas, como andar e falar.
• Tronco Cerebral – O tronco cerebral liga o encéfalo à espinal medula. Controla a fome, a sede, a respiração, a temperatura corporal, a pressão arterial e outras funções básicas do corpo.

GRAU DO TUMOR
Os tumores cerebrais são classificados de acordo com uma escala em graus: de baixo grau (grau I) a alto grau (grau IV). O grau do tumor está relacionado com o aspecto das células sob observação microscópica. As células de tumores de alto grau têm um aspecto mais anómalo e tendem a crescer mais depressa do que as células de tumores de baixo grau.

Tumores Cerebrais Primários
Os tumores com origem no tecido cerebral são conhecidos como tumores primários do cérebro. Os tumores cerebrais primários são classificados de acordo com o tipo de células ou com a parte do encéfalo onde tiveram origem.
Os tumores cerebrais primários mais comuns são os gliomas, que têm início nas células gliais. Existem vários tipos de gliomas:
• Astrocitoma – Tumor que deriva das células gliais em forma de estrela, designadas por astrócitos. Nos adultos, os astrocitomas desenvolvem-se mais frequentemente no cérebro. Nas crianças, surgem geralmente no tronco cerebral, cérebro e cerebelo. O astrocitoma de grau III é habitualmente designado por astrocitoma anaplásico. O astrocitoma de grau IV é frequentemente designado por glioblastoma multiforme.
• Glioma do tronco cerebral – Este tipo de tumor surge na zona inferior do encéfalo. Os gliomas do tronco cerebral são diagnosticados sobretudo em crianças pequenas e adultos de meia-idade.
• Ependimoma – Tumor que se desenvolve a partir das células que revestem os ventrículos ou o canal central da espinal medula. Desenvolvem-se mais frequentemente em crianças e adultos jovens.
• Oligodendroglioma – Este tumor raro tem origem nas células que constituem a substância adiposa que envolve e protege os nervos. Em geral, estes tumores surgem no cérebro. A sua progressão é lenta e habitualmente não se disseminam para os tecidos cerebrais adjacentes. São mais frequentes em adultos de meia-idade.

Existem alguns tipos de tumores cerebrais que não têm origem nas células gliais, tais como:
• Meduloblastoma – Este tumor tem origem no cerebelo. É o tumor cerebral mais comum em crianças, sendo, por vezes, designado por tumor neuroectodérmico primitivo.
• Meningioma – Este tumor desenvolve-se nas meninges. Habitualmente, o seu crescimento é lento.
• Schwannoma – Este tumor raro desenvolve-se a partir de uma célula de Schwann. Estas células revestem o nervo que controla o equilíbrio e a audição. Este nervo está localizado no ouvido. Este tumor também é designado por neuroma acústico e ocorre mais frequentemente em adultos.
• Craniofaringioma – Este tumor cresce na base do encéfalo junto à glândula pituitária (glândula endócrina do tamanho de um ervilha, localizada na base do cérebro. É ela que regula e controla a secreção de hormonas de outras glândulas endócrinas e muitos sistemas do organismo, produzindo, ela mesma, uma gama de hormonas.). Este tipo de tumor ocorre mais frequentemente em crianças.
• Tumor de células germinais do cérebro – Este tumor tem origem nas células erminais (Nos organismos multicelulares, as células germinativas são células que podem dar origem aos gâmetas, no caso dos animais, o espermatozóide e o óvulo).
• Tumor da região pineal – Este tumor cerebral raro desenvolve-se na glândula pineal ou perto dela. A glândula pineal está localizada entre o cérebro e o cerebelo.

Tumores Cerebrais Secundários
Quando o cancro atinge outra zona do organismo, a partir do seu local de origem, o novo tumor tem o mesmo tipo de células e o mesmo nome que o tumor de origem. Um cancro que se dissemina para o encéfalo, a partir de outra parte do corpo, é diferente do tumor cerebral primário. Quando as células cancerígenas se disseminam para o encéfalo, a partir de outro órgão (ex.: pulmão ou mama), o tumor passa a receber a designação de tumor secundário ou tumor metastizado. Os tumores cerebrais secundários são muito mais comuns do que os tumores primários.

GRUPOS DE RISCO
Não se conhece com exactidão a causa dos tumores cerebrais. Os médicos raramente conseguem explicar o porquê de algumas pessoas desenvolverem um tumor cerebral e outras não. Contudo, sabe-se que não é uma doença contagiosa.
A investigação mostra que as pessoas com determinados factores de risco estão mais predispostas a desenvolver tumores cerebrais do que outras. Um factor de risco é algo que aumenta a possibilidade de se vir a desenvolver uma doença.
Os seguintes factores de risco estão associados a uma probabilidade acrescida de desenvolver um tumor cerebral primário:
• Sexo – De modo geral, os tumores cerebrais são mais frequentes nos homens do que nas mulheres. Contudo, os meningiomas ocorrem sobretudo em mulheres.
• Raça – Os tumores cerebrais surgem mais frequentemente em caucasianos do que noutras raças.
• Idade – A maioria dos tumores cerebrais é detectada a partir dos 70 anos. No entanto, os tumores cerebrais são o segundo tipo de cancro mais frequente nas crianças (a leucemia é o cancro mais frequente na infância). Estes são mais frequentes em crianças com menos de 8 anos.
• Antecedentes familiares – As pessoas com familiares que desenvolveram gliomas podem ter maior probabilidade de desenvolver esta doença.
Exposição a radiação ou a certos químicos no local de trabalho.
• Radiação – Os trabalhadores da indústria nuclear apresentam um risco acrescido de desenvolver um tumor cerebral.
• Formaldeído – Os patologistas e embalsamadores que trabalhem com formaldeído têm um risco acrescido de desenvolver um tumor cerebral. Não se observou risco acrescido de desenvolver tumores cerebrais noutros trabalhadores expostos ao formaldeído.
• Cloreto de Vinilo – Os trabalhadores da indústria de plástico podem estar expostos ao cloreto de vinilo. Este químico pode aumentar o risco de desenvolver tumores cerebrais.
• Acrilonitrilo – Os trabalhadores da indústria têxtil e dos plásticos podem estar expostos ao acrilonitrilo. Este químico pode aumentar o risco de desenvolver tumores cerebrais.
Prosseguem as investigações sobre a possível relação entre o uso de telemóveis e os tumores cerebrais. Os estudos efectuados até à data não confirmam essa relação.
Também continua a ser alvo de estudo a possível causalidade entre os traumatismos cranianos e o risco de desenvolver tumores cerebrais. Os estudos realizados até hoje não estabeleceram essa relação.
Muitas pessoas que apresentam factores de risco conhecidos não desenvolvem tumores cerebrais. Em contrapartida, muitas pessoas que desenvolvem a doença, não apresentam factores de risco conhecidos. As pessoas que pensem estar em risco devem consultar o seu médico. Este poderá sugerir formas de reduzir o risco e elaborar um calendário para a realização de exames médicos.

SINTOMAS DE ALERTA
Os sintomas de um tumor cerebral dependem do seu tamanho, do seu crescimento, do seu tipo e da sua localização. Os tumores em certas partes do cérebro podem alcançar um tamanho considerável antes de os sintomas se manifestarem; pelo contrário, noutras partes do cérebro, mesmo um tumor pequeno pode ter efeitos devastadores. Os sintomas podem surgir quando o tumor comprime um nervo ou danifica determinada área do encéfalo ou também quando o encéfalo incha ou o líquido dentro do crânio aumenta ou também, quando o tecido cerebral é destruído ou quando a pressão no cérebro aumenta; tais circunstâncias podem ocorrer quer o tumor cerebral seja benigno, quer seja maligno. No entanto, quando o tumor cerebral é uma metástase proveniente de um cancro distante, o doente pode também ter sintomas relacionados com esse cancro. Por exemplo, o cancro do pulmão pode causar tosse com muco sanguinolento ou o cancro da mama pode produzir um nódulo na mama.
Os sintomas mais frequentes dos tumores cerebrais são os seguintes:
• Dores de cabeça (geralmente mais fortes de manhã);
• Náuseas ou vómitos;
• Febres intermitentes;
• Alterações na fala, visão ou audição;
• Dificuldade em manter o equilíbrio ou andar;
• Alterações de humor, personalidade ou capacidade de concentração;
• Problemas de memória e incapacidade de pensar;
• Espasmos ou tremores musculares (ataques epilépticos, convulsões);
• Enfraquecimento, paralisia ou formigueiro nos braços ou pernas;
• Sonolência.
A dor de cabeça é normalmente o primeiro sintoma do tumor cerebral, embora a maioria das dores de cabeça se deva a causas diferentes. Uma dor de cabeça devida a um tumor cerebral reaparece geralmente com frequência ou é permanente; é muitas vezes intensa; pode aparecer em pessoas que nunca sofreram dores de cabeça; acontece de noite e já está presente ao acordar.
Estes sintomas não constituem sinais óbvios da existência de tumor cerebral, uma vez que podem dever-se a outras situações. As pessoas que apresentarem estes sintomas devem consultar o seu médico o mais rapidamente possível. Estes problemas só podem ser diagnosticados e tratados por um médico.

FORMAS DE DIAGNÓSTICO
As pessoas que apresentem sintomas indicativos de tumor cerebral, poderão ter de realizar um ou mais dos seguintes procedimentos:
• Exame físico – O médico verifica os sinais gerais de saúde.
• Exame neurológico – O médico verifica a agilidade, força muscular, coordenação, reflexos e resposta à dor. O médico também examina os olhos para identificar edemas que possam ser provocados pela compressão do tumor no nervo óptico, que liga o olho ao encéfalo.
• TAC – Através de um aparelho de raios X ligado a um computador, é possível obter várias imagens da cabeça. Poderá ser administrado material de contraste para se observar o encéfalo com maior nitidez. O material de contraste permite observar os órgãos e os tecidos de tumores cerebrais.
• RM – Um íman gigante ligado a um computador permite obter imagens detalhadas do interior do corpo. Estas imagens são visualizadas num monitor e podem ser impressas. Por vezes, é injectado um contraste para ajudar a visualizar diferenças nos tecidos cerebrais. As imagens podem evidenciar um tumor ou outro problema cerebral.
O médico poderá solicitar outros exames:
• Angiograma – Para este procedimento é injectado na corrente sanguínea um contraste que permite observar os vasos sanguíneos cerebrais no raio X. Se existir um tumor poderá ser visualizado no raio X.
• Raio X craniano – Alguns tipos de tumores cerebrais causam depósitos de cálcio no encéfalo ou alterações nos ossos cranianos. Através de raio X, o médico pode observar estas alterações.
• Punção lombar – Trata-se da colheita de uma amostra de líquido cefalorraquidiano (líquido que preenche os espaços dentro e em redor do encéfalo e da espinal medula). Para a realização deste procedimento é administrada anestesia local. O médico utiliza uma agulha fina e comprida para recolher líquido da espinal medula, procedimento que demora cerca de 30 minutos. O doente deve permanecer deitado durante várias horas após a punção, de modo a evitar dores de cabeça. No laboratório, é verificada a existência de células cancerígenas no líquido ou outros sinais de doença.
• Mielograma – Trata-se de um raio X da coluna vertebral. Efectua-se uma punção lombar para injectar um corante especial no líquido cefalorraquidiano. O doente deverá estar inclinado para que a solução corante se misture com o líquido. Este exame possibilita ao médico detectar um tumor na espinal medula.
• Biópsia – À colheita de tecidos para se determinar a presença de células cancerígenas dá-se o nome de biópsia. As células são observadas ao microscópio para detectar a existência de células anómalas. A biópsia pode revelar a presença de cancro, alterações nos tecidos passíveis de provocar cancro, bem como outras situações. A biópsia é o único método seguro para diagnosticar um tumor cerebral.
Os cirurgiões têm ao seu dispor três formas de colher tecidos:
• Biópsia aspirativa – O cirurgião realiza uma pequena incisão no couro cabeludo e efectua um pequeno orifício no crânio. Esta abertura é designada por orifício de trepanação. O médico faz passar uma agulha através do orifício de trepanação e recolhe uma amostra de tecido do tumor cerebral.
• Biópsia estereotáxica – Um dispositivo de imagiologia, como a TAC ou a RM, guia a agulha através do orifício de trepanação até ao local do tumor. O cirurgião recolhe uma amostra de tecido com a agulha.
• Biópsia em simultâneo com o tratamento – Por vezes, o cirurgião recolhe uma amostra de tecido enquanto o doente é submetido à cirurgia para remover o tumor.
Por vezes, não é possível efectuar uma biópsia. Se o tumor estiver localizado no tronco cerebral ou em determinadas áreas, o cirurgião poderá não conseguir remover tecido do tumor sem lesionar o tecido cerebral normal. Em alternativa, o médico recorre à RM, TAC ou a outros exames imagiológicos.

MÉTODOS DE TRATAMENTO
Existem várias opções de tratamento para os doentes com tumores. O tratamento depende de vários factores, designadamente o tipo de tumor, a localização, o tamanho e o grau do tumor. Assim, os doentes podem ser submetidos a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Em certos tipos de tumor cerebral, o médico também necessita de saber se foram identificadas células cancerígenas no líquido cefalorraquidiano. Alguns doentes recebem um tratamento combinado. Os especialistas que tratam tumores cerebrais são os neurocirurgiões, neuro-oncologistas, oncologistas e radioterapeutas.
Em qualquer estádio de evolução da doença, os doentes podem receber tratamento para controlar a dor e outros sintomas, para atenuar os efeitos secundários do tratamento e para reduzir os problemas emocionais. Este tipo de tratamento é designado por controlo dos sintomas, cuidados de suporte ou cuidados paliativos.

Cirurgia
A cirurgia é um tratamento comum para a maior parte dos tumores cerebrais. A cirurgia para abrir o crânio é designada por craniotomia. Este procedimento é realizado mediante anestesia geral. Antes de iniciar a cirurgia, o couro cabeludo é rapado; o cirurgião efectua então uma incisão no couro cabeludo e utiliza um tipo especial de serra para remover um osso do crânio. Depois de remover parte ou a totalidade do tumor, o cirurgião cobre a abertura do crânio com o osso removido ou com uma peça metálica ou de tecido. Por fim, o cirurgião fecha a incisão do couro cabeludo.
Por vezes, não é possível realizar a cirurgia. Se o tumor estiver localizado no tronco cerebral ou noutras áreas, o cirurgião poderá não conseguir remover o tumor sem lesionar o tecido cerebral normal. Os doentes que não podem ser submetidos a cirurgia, são tratados com radiação ou outras abordagens.

Radioterapia
A radioterapia (terapia por radiação) utiliza raios de alta energia para matar as células cancerígenas. A radiação é emitida a partir de raios X, raios gama ou protões. Um aparelho de grande dimensão dirige a radiação para o tumor e para os tecidos adjacentes. Por vezes, a radiação pode ser direccionada para todo o encéfalo ou para a espinal medula.
Geralmente, a terapia por radiação é efectuada depois da cirurgia. A radiação mata as células tumorais que possam ter permanecido nessa região. Os doentes que não podem ser submetidos a cirurgia são muitas vezes tratados com radiação.
Devem ser tomadas medidas para proteger o tecido saudável em redor do tumor cerebral:
• Fraccionamento – Geralmente, a radioterapia é administrada 5 dias por semana, durante várias semanas. A administração da dose total de radiação por um período prolongado ajuda a proteger os tecidos saudáveis na área do tumor.
• Hiperfraccionamento – Nesta caso, são administradas ao doente doses menores de radiação, duas ou três vezes por dia, em vez de uma dose diária mais elevada.
• Terapia por radiação estereotáxica – Feixes estreitos de radiação são direccionados para o tumor, a partir de diferentes ângulos. Para este procedimento, é utilizada uma armação rígida para a cabeça do doente. A ressonância magnética (RM) ou TAC criam imagens com a localização exacta do tumor. O médico utiliza o computador para decidir qual a dose de radiação necessária, bem como o tamanho e os ângulos dos feixes. Esta terapia pode ser administrada numa única consulta ou em várias.
• Terapia por radiação tridimensional conformada – O computador cria uma imagem tridimensional do tumor e do tecido cerebral circundante. O médico dirige múltiplos feixes de radiação para o local exacto do tumor. A focagem precisa dos feixes de radiação protege os tecidos cerebrais normais.
• Terapia por radiação com feixe de protões – Neste caso, a fonte de radiação são os protões, em vez dos raios X. O médico dirige os feixes de protões para o tumor. Os protões conseguem atravessar os tecidos saudáveis sem os danificar.

Quimioterapia
A quimioterapia (QT) esta abordagem utiliza fármacos para matar células cancerígenas, e é também utilizada no tratamento de tumores cerebrais. Os fármacos podem ser administrados por via oral ou injectável. Em ambos os casos, os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam pelo corpo. Em geral, são administrados em ciclos, de modo a que haja um período de recuperação a seguir a cada período de tratamento.
As crianças têm maior probabilidades de serem submetidas a quimioterapia do que os adultos. No entanto, os adultos podem receber quimioterapia após a cirurgia e a radioterapia.
Em alguns doentes com cancro cerebral recorrente, o cirurgião remove o tumor e implanta vários discos contendo quimioterapia. Cada disco é mais ou menos do tamanho de uma moeda. O disco dissolve-se ao longo de várias semanas, libertando o fármaco no encéfalo para matar as células cancerígenas.

EFEITOS SECUNDÁRIOS POSSÍVEIS
Tendo em conta que o tratamento pode danificar células e tecidos saudáveis, é possível que ocorram efeitos secundários. Estes efeitos dependem de diversos factores, designadamente a localização e o tipo de tumor, e a extensão do tratamento. Os efeitos secundários não são semelhantes em todas as pessoas, podendo, inclusivamente, variar entre as diversas sessões de tratamento. Antes de iniciar o tratamento, os médicos e enfermeiros explicarão quais são os possíveis efeitos secundários resultantes do tratamento e como lidar com eles.

Cirurgia
Nos primeiros dias após a cirurgia, os doentes sentem habitualmente dores de cabeça ou desconforto, que podem ser controlados com medicação. Os doentes não devem ter receio de falar com o médico ou enfermeiro sobre as formas de aliviar a dor.
Também é normal que os doentes se sintam cansados ou débeis. O tempo de recuperação após uma operação varia de doente para doente.
A quantidade de sangue ou de líquido cefalorraquidiano pode aumentar no encéfalo. A este inchaço dá-se o nome de edema. A equipa médica monitoriza os doentes para detectar sinais destas complicações. Podem ser administrados esteróides ao doente para aliviar este inchaço. Pode ser necessária uma segunda cirurgia para drenar o líquido. O cirurgião coloca um tubo fino e comprido (shunt) num ventrículo cerebral. Este tubo é ligado, por baixo da pele, a outra zona, geralmente o abdómen. O líquido em excesso é retirado do encéfalo e drenado para o interior do abdómen, ou eventualmente para o coração.
As infecções são outra possível complicação que pode surgir após a cirurgia. Se tal acontecer, o doente deverá ser tratado com um antibiótico.
A cirurgia cerebral pode danificar o tecido cerebral normal, o que constitui um problema grave. O doente pode ter dificuldade em pensar, ver ou falar e, ainda, sofrer alterações de personalidade ou ataques epilépticos. A maioria destes problemas diminui ou desaparece com o tempo. No entanto, os danos cerebrais podem ser permanentes, o que leva o doente a recorrer a fisioterapia, terapia da fala ou terapia ocupacional.

Radioterapia
Depois do tratamento, alguns doentes têm náuseas durante várias horas. A radioterapia pode, ainda, causar uma grande fadiga à medida que o tratamento decorre. É fundamental repousar, embora os médicos aconselhem os doentes a permanecer o mais activos possível.
Na maioria dos casos, a radioterapia causa queda de cabelo, embora este volte a crescer após alguns meses. A radioterapia pode também provocar alterações cutâneas na região tratada. O couro cabeludo e as orelhas podem ficar avermelhados, secos e sensíveis.
A radioterapia pode também originar um inchaço nos tecidos cerebrais. Os doentes podem ter dores de cabeça ou uma sensação de pressão. A equipa médica deverá controlar estes sintomas com medicação, de forma a reduzir o desconforto.
A radiação pode destruir tecidos cerebrais saudáveis. A este efeito secundário dá-se o nome de necrose por radiação. A necrose pode causar dores de cabeça, ataques epilépticos ou até levar à morte do doente.
Nas crianças, a radiação pode danificar a glândula pituitária, bem como outras áreas do encéfalo, daí resultando dificuldades de aprendizagem ou atraso no crescimento e desenvolvimento. A radiação durante a infância aumenta o risco de desenvolvimento de futuros tumores secundários. Prossegue a investigação para determinar se, em vez da radioterapia, as crianças com tumores cerebrais podem receber quimioterapia.
Os efeitos secundários podem ser mais graves se a quimioterapia e a radioterapia forem administradas simultaneamente.

Quimioterapia
Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos utilizados. Os efeitos secundários mais frequentes são: febre e arrepios, náuseas e vómitos, perda de apetite e fraqueza. Alguns efeitos secundários podem ser aliviados com medicamentos.
Os doentes que coloquem um implante (ou disco) com fármaco são monitorizados pela equipa médica para detectar quaisquer sinais de infecção pós-operatória. As infecções podem ser tratadas com antibióticos.

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Cancro

No mundo inteiro, milhões de pessoas vivem com o diagnóstico de cancro.

A investigação constante, numa área de intervenção tão importante como o cancro é, inquestionavelmente, necessária. Cada vez se sabe mais sobre as suas causas, sobre a forma como se desenvolve e cresce, ou seja, como progride. Estão, também, a ser estudadas novas formas de o prevenir, detectar e tratar, tendo sempre em atenção a melhoria da qualidade de vida das pessoas com cancro, durante e após o tratamento.

O cancro é a proliferação anormal de células.

O cancro tem início nas células; um conjunto de células forma um tecido e, por sua vez, os tecidos formam os órgãos do nosso corpo. Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células. No seu ciclo de vida, as células envelhecem, morrem e são substituídas por novas células.

Algumas vezes, este processo ordeiro e controlado corre mal: formam-se células novas, sem que o organismo necessite e, ao mesmo tempo, as células velhas não morrem. Este conjunto de células extra forma um tumor mas, nem todos os tumores correspondem a cancro.

Nos países da Europa e América do Norte o cancro mais frequente no homem tem sido o da próstata e o cancro mais mortal no homem tem sido o do pulmão; o cancro mais frequente na mulher é o da mama e o cancro mais mortal na mulher é o do pulmão.

O tempo é determinante no combate ao cancro. Informe-se e, pela sua saúde, consulte o médico quando suspeitar dessa situação. Quanto mais cedo for detectado, maior a probabilidade de cura do cancro.



Visita ao Laboratório da Crioestaminal

Visita ao Laboratório da Crioestaminal

Peditório para a Liga Portuguesa Contra o Cancro

Peditório para a Liga Portuguesa Contra o Cancro
Este é o único comprovativo do grupo a dizer a quantia do peditório que realizamos.

Foto de grupo aquando do peditório.